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GUIA DE TURISMO: CASTELO RODRIGO, A ALDEIA AUTÊNTICA

por Food and Travel Portugal
GUIA DE TURISMO: CASTELO RODRIGO, A ALDEIA AUTÊNTICA

A muralha compacta, com os seus torreões, no alto de uma colina, marca a paisagem. A povoação é conhecida pela resistência durante a Restauração, mas também pela criatividade de pratos com peixe de rio ou com os borregos que crescem na Marofa.

Lado a lado com a serra da Marofa, as velhas muralhas de Castelo Rodrigo, amparadas em grandes torreões semicirculares (cubelos), vigiam as extensas planícies que se estendem do lado português e se perdem na distância, para lá da fronteira espanhola. A história desta povoação começa muito antes do início da nacionalidade, mas é a 7 de julho de 1664, em plena Restauração, que se desenha um facto histórico para Castelo Rodrigo: nesse dia, tropas portuguesas comandadas pelo general Pedro Jacques de Magalhães, vieram em socorro da população local, cercada pelo exército castelhano do Duque de Ossuna. Os portugueses venceram e o confronto ficou conhecido por batalha da Salgadela (o nome do lugar onde aconteceu). Este acontecimento é agora recriado todos os anos em Castelo Rodrigo com a participação de centenas de figurantes trajando roupas da época. E, ao longo de todo o ano, vários atores vestem a pele de figuras históricas como D. Dinis ou D. João I e acompanham os turistas em visitas guiadas ao castelo e à povoação.

Figuras históricas fazem visitas à aldeia

Entrando na aldeia de Castelo Rodrigo vamos encontrar casas de traça tradicional beirã, construídas em granito, sem reboco, de um só piso, resistentes ao passar do tempo. No interior das casas, durante o inverno, a cozinha servia de sala de estar, com a lareira a fazer o papel da televisão. O castelo tem uma alcáçova no interior, transformada em palácio por Cristóvão de Moura, um nobre natural de Castelo Rodrigo que ficou ligado ao poder filipino – e, por isso, o palácio foi arrasado pela população enfurecida, logo em 1640, e está hoje em ruínas. Fora do castelo, temos a Igreja de Nª Sª de Rocamador (séc. XIII), onde estão guardados verdadeiros tesouros, como uma estátua de São Sebastião (séc. XIV). O pelourinho manuelino e a cisterna medieval (que terá sido também uma sinagoga), são também pontos de visita obrigatória.

Maria Alzira mexe a panela das amêndoas doces

A próxima paragem é no ‘Páteo do Castelo’, uma simpática casa de chá, ao lado de uma loja de produtos regionais, a ‘Sabores do Castelo’. Ambas pertencem a André Carnet, 78 anos, um francês que vinha passar férias à aldeia e, em 2001, decidiu abrir estes espaços. As amêndoas doces são uma especialidade da casa (e de Castelo Rodrigo) e a sua produção está por conta de Maria Alzira que junta todos os ingredientes numa enorme panela: água a ferver, açúcar, canela e amêndoas inteiras. “Fazemos umas 14 variedades de amêndoas: com chocolate, sésamo, caril, alfazema e outras especiarias”, explica Maria Alzira. Na loja, além das amêndoas (doces ou salgadas), vendem-se outros produtos da terra como figos, compotas, vinhos ou ervas aromáticas.

Do outro lado da pequena rua, está a ‘Sabores da Geninha, onde se vendem os produtos confecionados por Eugénia Torres. Além das amêndoas doces, temos os bolinhos de coco, de figo ou de amêndoa, além das compotas de castanha, abóbora, figo ou figo com vinho do porto. E ainda um produto inovador, mais recente, a manteiga de amêndoa. Os produtos da Geninha saem para lojas em vários pontos do país e para a Bélgica, França e Alemanha.

Um dos emblemas maiores da culinária local é o borrego da Marofa, temperado apenas com sal e grelhado nas brasas. Os borregos crescem livres na serra e alimentam-se dos pastos que a terra dá, garantindo-lhes o sabor especial. No ‘Arco Íris’, restaurante de Delfina Matilde, o borrego vem acompanhado de ‘esparregado à pobre’, assim chamado por ser, no passado, a única comida que os pobres podiam ter à mesa: é feito apenas com folhas de nabiça e batatas esmagadas.

O azeite e o vinho são dois outros produtos gastronómicos do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. A Adega Cooperativa local, fundada em 1958, absorve as uvas vindimadas por mais de 450 produtores da região. António Madeira, presidente da Adega, e Jenny Silva, enóloga, mostram-nos as caves onde guardam os vinhos e a sala de provas. Entre as referências da Adega contam-se as marcas: ‘Convento de Aguiar’, ‘Conde de Castelo Rodrigo’ e ‘Castelo Rodrigo’, além dos espumantes e de um licoroso. O Pinking é a estrela mais recente da equipa de enologia: “É exclusivamente vinificado a partir da casta branca síria, a casta mais produzida na região”, conta-nos Jenny Silva, orgulhosa do trabalho que revelou esta categoria de vinho, “única no mundo”, uma investigação que começou quando a enóloga era ainda aluna do mestrado na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. O Pinking é um vinho de cor rosa-salmão, com aromas tropicais e que acompanha pratos de peixe, marisco ou carnes brancas.

Do vinho para o azeite, vamos ao encontro de Emília Reigado, na localidade de Quintã de Pero Martins. “Fomos comprando olivais velhos, alguns com 2 ou 3 mil anos e agora temos 10 mil hectares próprios, tudo a funcionar em modo biológico e seguindo todas as regras da agricultura sustentada”, conta Emília Reigado. O azeite é comercializado com o nome do marido, Justino Coelho Reigado, e quase todo segue para o estrangeiro – venderam mil litros aos ingleses da Sail Boat Project, que foram transportados a partir do vale do Côa num barco à vela do séc.XIX – esta organização dedica-se à navegação à vela, como contributo para um comércio marítimo menos poluente. “Eles queriam mais, mas nós só tínhamos estes mil litros, o resto já estava tudo vendido. Produzimos entre 3 e 5 mil litros por ano”, explica-nos Emília, satisfeita com a visibilidade que esta acção internacional deu aos seus produtos. Além do azeite, o casal Reigado produz também figo, amêndoa, peras desidratadas e azeitona, distribuídos sobretudo em lojas gourmet.

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Na versão completa do artigo poderá encontrar as nossas sugestões de hotéis, restaurantes e locais a visitar. Artigo publicado em janeiro de 2018.

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