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MADEIRA: A PÉROLA TROPICAL

by Food and Travel Portugal
MADEIRA: A PÉROLA TROPICAL

A dois passos do fim-do-ano, milhares de turistas portugueses e estrangeiros preparam-se para uma viagem à Madeira. Além dos fogos-de-artifício mais famosos do mundo, vão encontrar uma ilha orgulhosa da sua tradição gastronómica e da qualidade dos produtos locais, como verificou José Fragoso, numa viagem pela suave ilha atlântica, quase tropical.

 

O barco que transportava Napoleão Bonaparte e a sua mulher Josefina, a caminho do exílio em Santa Helena, em 1815, fez uma paragem na ilha da Madeira. Napoleão seguia a bordo da Northumberland, a nau almirante da esquadra inglesa comandada pelo almirante George Cockburn. O cônsul geral britânico na ilha, Henry Veitch, um escocês, terá subido a bordo e oferecido ao antigo imperador um cabaz de produtos madeirenses: frutas, doces e vinho. Uma lenda local, acrescenta a possibilidade de Napoleão e Josefina terem desembarcado furtivamente para um jantar de luxo oferecido pelo cônsul, em sua casa.

O palco desse jantar teria sido a Quinta do Jardim da Serra, um magnífico espaço situado a 850 metros de altitude, transformado hoje em hotel. Por aqui se plantaram as primeiras plantas de chá na ilha da Madeira – e primeiras em toda a Europa -, também por iniciativa do cônsul Veitch. Uma produção que entretanto se perdeu, mas que o engenheiro agrónomo Marco António está a tentar recuperar. É ele o responsável por uma área de cultura biológica que rodeia todo o hotel e alimenta o restaurante da quinta, o Green Valley: “O clima temperado da serra permite que se crie aqui quase tudo”, conta-nos.

E é mesmo assim! Subindo ou descendo as encostas da quinta, encontramos as mais diversas árvores de fruto – macieiras, ameixoeiras, framboeseiras, cerejeiras, amendoeiras -, hortaliças variadas e uma vinha que vai este ano garantir a primeira colheita de vinho Madeira, da Quinta da Serra. Produtos que garantem ao restaurante a certificação biológica nível bronze – 30 a 60 por cento dos conteúdos do menu têm origem bio. A imaginativa carta desenhada pelo chef francês Yves Gautier, revela-nos combinações como o peixe-espada em tempura, chutney de citrinos e banana com sabor de eucaliptos e pele de batata-doce frita; ou o frango biológico, cozido em baixa temperatura, polenta de grão-de-bico e molho de tremoço.

Este é apenas um dos casos mais evidentes da evolução da gastronomia madeirense, muito atenta à qualidade dos produtos locais e à sua ligação a uma cozinha mais exigente. Uma visita ao Mercado dos Lavradores, na baixa do Funchal, numa sexta ou sábado de manhã, confirma esta ideia. São centenas, os produtores locais que exibem aqui os seus melhores produtos. Pela banca de Luís Nóbrega, espalham-se maracujás, mamões, pitangas, uvas jaqué, abóboras de todo o tipo e chuchus – que na Madeira se chamam pimpinelas.

No piso superior, milhares de malaguetas vermelhas fazem a decoração da banca de Nathaly Oliveira, nascida em Caracas, Venezuela, madeirense de gema. “Temos muitas variedades de pimentas na ilha mas as mais picantes são os gindungos. Aqui temos dez variedades diferentes”, explica. No piso inferior está o mercado do peixe: bodiões, peixes-espada, atuns, pargos, bicudas, peixes-porco e charuteiros, espalham-se pelas bancadas, onde mãos experientes os limpam e preparam. Por toda a praça, multiplicam-se bancas tropicais e muito coloridas de maracujá limão, pera abacate, ananás banana, maracujá ananás ou maracujá pêssego. Frutas que misturam sabores e são um desafio para os chefs de cozinha locais.

E este foi um ano grande para a alta gastronomia madeirense. Dois restaurantes da ilha foram premiados pelos inspetores do Guia Michelin: o Il Gallo d’Oro ganhou a sua segunda estrela e o William conseguiu a primeira. Vamos ao Il Gallo d’Oro, ao encontro do chef francês Benoît Sinthon: “Seguimos uma cozinha de técnica francesa com produtos da ilha da Madeira (peixes, como o bodião, garoupa, pargo, atum, cavalas, cherne ou rascasso; e legumes, flores comestíveis, ervas aromáticas e frutas da nossa horta). Uma cozinha moderna, de estação, de pesquisa, aromática, saborosa e ligeira onde faço uma ligação entre os produtos madeirenses, os melhores produtos da península ibérica e alguns franceses.”

Dos produtos locais, Benoît Sinthon destaca o maracujá como um dos que gosta mais de trabalhar: “Temos uma sobremesa que se chama “Mundo do Maracujá”, de que gosto muito. A própria loiça onde é servida é um maracujá em duas metades. De um lado apresenta um parfait glaçé de maracujá com geleia de polpa fresca com sementes de maracujá e do outro lado oferece um cremoso de chocolate com maracujá e espuma de banana. Uma delícia, para quem aprecia esta fruta maravilhosa”.

O chef sente a evolução na oferta local: “Alguns chefs madeirenses fizeram um trabalho interessante com os pequenos produtores. Alargamos a nossa lista de produtos da terra e comunicamos aos pescadores e agricultores o que pretendemos. Houve uma evolução positiva da matéria-prima. O cuidado, o respeito pelo produto ajudou a melhorar a qualidade do que nós pretendemos”.

A pouca distância do Il Gallo d’Oro, está o outro restaurante ‘estrelado’ do Funchal. Luís Pestana, responsável executivo pela cozinha do William é o primeiro madeirense a chegar à estrela Michelin. “Temos uma cozinha de autor com alguma reinterpretação da cozinha regional, utilizando sempre produtos da Madeira”, explica o chef. “A cozinha é sempre mais genuína quando se usam produtos locais. A nossa carta muda com as estações do ano, acompanhando os produtos da época, embora o clima subtropical da Madeira permita alargar um pouco os tempos de produção”.

Para Luís Pestana, também não há dúvidas de que a oferta gastronómica está no bom caminho: “Sente-se a evolução. Lançamos desafios aos produtores que nos fornecem os legumes, as frutas, os peixes e as carnes. E estamos a obter os resultados desse desafio”. Pela mão do chef madeirense, chegam à mesa criações como o Foie gras recheado com verdelho, chutney de banana com trufa preta e crumble de bolo de mel; a ​Lasanha de lavagante com pak choi e alho-francês; ou o Kinder William, uma deliciosa (e divertida!) sobremesa de chocolate.

Os turistas que visitam o Funchal não passam ao lado da variedade de produtos exóticos. Espalhadas pela cidade, vemos inúmeras bancas onde se vende todo o tipo de frutas a quem passa na rua. Milhares de visitantes estrangeiros enchem as praças logo pela manhã, ocupando jardins e esplanadas, desde a movimentada avenida Arriaga, partindo dos jardins municipais em frente ao elegante Ritz, até à Sé Catedral do Funchal; ou percorrendo as ruas estreitas da Zona Velha, subindo o teleférico até ao Monte ou deslizando nos carros de cestos que saem dos Carreiros do Monte e descem, velozes, por dois quilómetros de ladeiras inclinadas, até Livramento, guiados com perícia por condutores que herdaram uma prática com mais de cem anos.

Quase tantos anos, quantos os que a Fábrica de Santo António leva a fazer bolos de mel, um dos doces madeirenses mais conhecidos. Fundada por Francisco Roque, em 1893, a fábrica começou por vender bolachas e biscoitos em latas de cinco quilos. Hoje mantém as suas instalações de sempre no centro do Funchal, na Travessa do Forno, nº 27/29 fabricastoantonio.com e os seus 15 trabalhadores continuam a seguir à risca as pisadas do fundador, produzindo doces variados de forma artesanal: rebuçados de funcho e eucalipto, bolachas, compotas de fruta, broas de mel tradicionais e, claro, os bolos de mel de cana.

“Na Madeira, come-se bolo de mel durante o ano todo, mas no Natal é essencial em qualquer mesa!”, diz Bruno Vieira, gerente da fábrica onde trabalha há dez anos. “O bolo de mel é sempre partido à mão, nunca se usa uma faca, para não ferir os frutos secos e cristalizados”, aconselha Bruno. O bolo de mel de cana conserva-se um ano sem perder qualidades. “Bem pelo contrário, ao fim de um ano ainda está melhor!”

A origem deste doce remonta aos tempos áureos da produção de cana-de-açúcar. A receita inclui uma longa lista de ingredientes, sinal da riqueza de soluções culinárias que a ilha sempre ofereceu: mel de cana-de-açúcar, farinha, manteiga, banha, amêndoas, nozes, passas, frutas cítricas cristalizadas, cravinho, noz-moscada, erva-doce, canela, laranja e vinho Madeira.

Deixando a Fábrica de Santo António, chegamos à Zona Velha do Funchal, atravessada pela rua de Santa Maria, com o seu velho Passo Processional, um oratório com a data inscrita de 1733 e ponto de passagem da Procissão dos Passos da Paixão, pela Quaresma. A rua é ocupada por dezenas de bares e restaurantes, lojas de arte e de souvenirs, de portas e janelas pintadas à mão, de cores vivas e chamativas. À noite, estas ruas enchem-se de jovens madeirenses e de turistas estrangeiros, num convívio animado por copos de poncha e garrafas de Coral, a cerveja produzida na Madeira. Para quem procura agitação noturna na ilha, este é o lugar certo a procurar!

Mesmo no centro da cidade, vamos encontrar também a Madeira Wine Company, propriedade da família Blandy há mais de 200 anos, desde que o inglês John Blandy chegou à ilha no início de 1808. As instalações abrigam os melhores vinhos Madeira da marca: os telhados de tijolo, as paredes grossas e o piso de madeira, somados à exposição solar do edifício, são o ambiente ideal para o envelhecimento do vinho. O Madeira tem apreciadores célebres – Winston Churchil, Thomas Jefferson ou George Washington – e está ligado a episódios históricos: a independência dos Estados Unidos, em 1776, foi celebrada com um brinde feito com vinho Madeira.

“O vinho envelhece com o calor do sótão”, conta Diana Rincon, guia na visita às instalações (visita completa, 5,9€ com prova de dois vinhos). “No Verão, a temperatura aqui dentro chega aos 35 graus”. A qualidade das velhas barricas de carvalho americano antigo é garantida por quatro tanoeiros da própria companhia. “No mínimo, o vinho passa aqui cincos anos nas barricas. O mais antigo que temos é de 1948”, acrescenta Diana.

Nestes históricos armazéns, o vinho envelhece pelo processo mais lento, mais antigo e reservado apenas aos líquidos mais nobres: o processo de canteiro, assim chamado por as barricas serem postas em cima de traves de madeira, chamadas canteiros. A técnica alternativa, iniciada no séc. XVIII, chama-se estufagem: o vinho fica em estufas aquecidas de aço inox, a 45º/50ºC de temperatura, o que permite acelerar o envelhecimento de forma artificial e engarrafar ao fim de dois anos.

O vinho Madeira oscila entre os 18 e os 22 graus alcoólicos e é feito, em geral, a partir de cinco castas: sercial (seco), verdelho (meio-seco), bual (meio doce), malvasia (doce), todas brancas; e tinta negra (tinta), que pode ser utilizada nos quatro tipos. Estes vinhos harmonizam bem à mesa com vários pratos: os secos dão-se bem com peixes fumados ou sushi, os meio-secos com foie gras ou presunto; os meio-doces com frutos vermelhos, bolos ou tartes de fruta; e os doces com frutos secos, bolo de mel ou chocolate negro. A qualidade dos bons vinhos Madeira reflete-se nos preços das colheitas mais antigas. A título de exemplo, uma garrafa de Terrantez de 1980, da Blandys, custa 190€; uma de Sercial 2002, colheita seleccionada, vale 38€; e uma de Bual, 1908, já uma preciosidade, vale hoje 1500€.

As primeiras uvas chegaram à Madeira poucos anos depois da descoberta da ilha, em 1419. Os jesuítas tiveram um papel central na exploração de vinhas e no início do comércio dos vinhos. Numa visita à ilha, é obrigatório conhecer uma fatia de terra onde os frades plantaram vinhas da casta Malvasia Cândida – a Fajã dos Padres. Até há pouco mais de um ano, esta faixa de cultivo, espremida entre o mar e uma falésia de 300 metros, só era acessível de barco ou por um velho elevador pouco confortável e muito assustador. Com a construção de um teleférico, a Fajã dos Padres tem agora um acesso simples, com uma vista deslumbrante.

O teleférico faz um autêntico mergulho no vazio antes de descer a pique até ao nível do mar. Lá em baixo, somos recebidos por Mário Fernandes, um engenheiro electrotécnico que passa aqui parte dos seus dias. Ele e a mulher são os proprietários deste lugar histórico: “Foi aqui que nasceu o vinho Madeira”, conta-nos, orgulhoso. “Os Jesuítas compraram a terra a um neto de Gonçalves Zarco (o navegador e cavaleiro escolhido pelo infante D. Henrique para liderar a colonização da Madeira) e plantaram aqui as primeiras vinhas”. Os padres ocuparam a Fajã durante mais de 150 anos, até à sua expulsão. Nesta terra isolada terão chegado a viver mais de 50 pessoas, entre colonos e jesuítas. Além de zona agrícola, a fajã era também utilizada pela Ordem de Jesus como zona de veraneio.

Agora, é Mário Fernandes que toma conta da vinha e da pequena e antiga adega onde trata as suas colheitas, da vindima até à garrafa. “Hoje em dia engarrafamos apenas 250 litros de vinho por ano”, conta-nos. Vinho que é vendido aos muitos visitantes que procuram a Fajã dos Padres, sobretudo alemães, franceses, holandeses, russos, polacos e checos.

Descer à Fajã dos Padres é como entrar por uma porta do paraíso: dezenas de árvores de fruto (banana, abacate, mamão, pitanga) espalham-se pela terra junto ao mar e o isolamento é quase total. Os produtos biológicos alimentam o menu do restaurante da Fajã, um espaço ao ar livre, descontraído, quase em cima das águas do oceano. Mesmo ao lado, uma praia de calhau rolado e um pequeno cais, são o melhor pretexto para um mergulho nas águas suaves do Atlântico, cuja temperatura, ao longo do ano se situa entre os 18 e os 22 graus, às vezes mais.

Amândio Gonçalves, 64 anos, um dos chefs mais experientes da ilha, toma conta da cozinha e adora o ambiente deste local. Orgulhoso, dá-nos a provar uma sobremesa feita com frutas da época da Fajã e gelado de manga e pitanga, “um gelado feito aqui”. Na ementa, a surpresa do chef junta araçá amarelo e araçá vermelho com banana prata, uma combinação exótica de frutas colhidas aqui ao lado.

O respeito pelos produtos da ilha serve de motor à inovação e à criatividade que ganham espaço na oferta da cozinha madeirense. “A Madeira não é só bolo do caco, poncha e espetadas!”. Quem o diz é Octávio Freitas, madeirense, 36 anos, chef executivo dos Hotéis Four Views e profundo conhecedor da cozinha local: “Há uma nova gastronomia na Madeira. Há 20 anos, quando comecei a trabalhar, os chefs eram quase todos suíços ou franceses. Eu era um dos poucos madeirenses na cozinha, hoje já há muitos. Deu-se uma nova roupagem aos pratos tradicionais”.

O chef Octávio defende também a gastronomia madeirense “sem faca e sem garfo, à base do palito”. São os dentinhos, petiscos variados, vendidos em pequenas doses. “A autenticidade está nas pequenas tascas espalhadas pela ilha, onde se fazem dentinhos de gaiado (uma espécie de atum) e de gata (uma espécie de tubarão), secos e demolhados e preparados em escabeche; ou de rolo de espada frito com cebolada”.

Nos seus restaurantes, Octávio Freitas joga na surpresa: “O cliente vem disposto a ser surpreendido. É isso que procuro fazer”. À mesa, chegam pratos criativos, de sabores ricos e intensos, como as Ovas de Espada com Ananás Grelhado, Salada de Favas cruas com chouriço e Emulsão de Limão; a Mendinha de Novilha Longa Cozedura com Cuscuz Caseiro; ou a Cremada de Broa de Mel com Caramelo de Especiarias. “Trabalho com o que é fresco, com o que é da época. Trabalho com feijão-verde quando há feijão-verde, quando não há, não há!”.

A equipa da Food and Travel Portugal deslocou-se ao Funchal por cortesia da Associação de Promoção da Madeira, madeiraallyear.com

 

 


A Poncha

A poncha é uma poderosa bebida madeirense cuja fama já ultrapassou as fronteiras da ilha. No Funchal, a bebida é presença obrigatória em bares e restaurantes, sobretudo na zona velha da cidade, onde a animação noturna é mais intensa. É o caso do Bar Barreirinha, no Largo do Socorro, mesmo ao lado da histórica igreja do Socorro (onde se encontra uma imagem de São Tiago, a quem a população madeirense pediu protecção durante um surto de peste em 1523). Elvio Pestana é o barman de serviço e é ele quem explica os segredos da poncha. Para fazer um litro da bebida, vamos precisar de um copo e meio (30cl) de sumo de laranja, um copo de sumo de limão (20cl) e dois copos e meio de aguardente de cana da Madeira (0,50cl). Aos líquidos, misturados num jarro de vidro, juntam-se três colheres rasas de mel de cana madeirense. Depois usa-se um pau da poncha (ou mexelhote), um utensílio de madeira, com uma ponta dentada, para mexer energicamente todos os ingredientes, usando a palma das mãos para o fazer rodar. Saúde!


Bolo do caco

O bolo do caco é um dos produtos mais típicos da ilha da Madeira, hoje popularizado em todo o país. Os pequenos pães são habitualmente cozinhados de forma industrial, mas muitos madeirenses fazem-nos ainda de forma tradicional. Na Quinta do Furão, em Santana, localidade conhecida pelo colorido das suas casas antigas, Assunta Noite explica-nos como se faz o bolo do caco. “A receita é simples: junta-se farinha, batata-doce cozida e depois esmagada, fermento de padeiro, água e sal. Depois de tudo misturado, a massa deverá fermentar por cerca de duas a três horas”. A seguir, divide-se a massa em várias partes – cada uma delas vai dar um bolo – e leva-se ao lume, a cozer em

peças lisas feitas de barro da ilha ou em pedras de basalto (os chamados cacos que dão nome ao bolo), aquecidas previamente sobre as brasas de uma fogueira. Primeiro de um lado, depois do outro, até os bolos ficarem com os lados tostados e prontos a comer. Normalmente comem-se quentes, como entrada, barrados com manteiga de alho. Hoje em dia, são utilizados em muitos restaurantes – na Madeira e no continente – para fazer saborosas sanduíches com recheios que vão desde os bifes ou iscas de vaca aos filetes de peixe-espada, por exemplo.


INFORMAÇÃO DE VIAGEM

O aeroporto do Funchal está a cerca de 1h45 de Lisboa e a cerca de duas horas do Porto. A geografia da Madeira é generosa e confere-lhe um clima ameno ao longo de todo o ano, com uma humidade moderada. As temperaturas médias oscilam entre os 25ºC no Verão e os 17ºC graus nos meses mais frios. A água do mar beneficia das correntes quentes do Golfo do México com temperaturas entre os 18ºC e os 22ºC, que permitem excelentes banhos de mar ao longo de quase todo o ano.

 

COMO CHEGAR

A TAP, a Azores Airlines e a Easyjet fazem ligações diárias entre Lisboa e o Funchal tap.pt, azoresairlines.pt  e easyjet.com

A TAP e a Azores Airlines têm voos diretos entre o Porto e o Funchal tap.pt, azoresairlines.pt

FONTES DE INFORMAÇÃO

O Turismo da Madeira fornece-lhe toda a informação sobre o arquipélago e ajuda-o a planear a sua viagem com sugestões variadas, eventos, hotéis, restaurantes, etc. visitmadeira.pt

EVENTOS

Ao longo do ano são múltiplos os eventos que justificam uma viagem à Madeira. A Festa da Flor (início da Primavera), os Santos Populares (Junho) ou a Festa das Vindimas (Setembro) são alguns dos eventos mais populares, mas o grande momento na Madeira é o fim do ano. No dia 1 de dezembro começam as Festas de Natal e Fim do Ano – que duram até 7 de janeiro de 2018. A baixa do Funchal enche-se de iluminações decorativas e somam-se as actividades relacionadas com a época. E, chegados à última noite do ano, realiza-se o famoso fogo-de-artifício na baía do Funchal – um evento registado em 2006 no Livro Guiness dos Recordes como o maior espectáculo de fogo-de-artifício do mundo. São oito minutos de deslumbramento puro com noite iluminada por milhões de luzes e cores que irrompem das colinas do Funchal, de toda a orla marítima e até da ilha de Porto Santo!


ONDE FICAR

Quinta do Furão Inserido numa herdade que se dedica à produção de vinho, frutas e vegetais, com uma vista soberba para o Atlântico, o hotel disponibiliza 45 quartos, dos quais dois são T2. Duplo desde 170€, 291 570 100, Est. da Quinta do Furão, 6, Santana, quintadofurao.com

Belmond Reid’s Palace Inaugurado em 1891, pelo hotel passaram hóspedes como Churchil, a imperatriz Sissi (Áustria), ou os atores Roger Moore e Gregory Peck, atraídos pelo luxo dos seus espaços interiores, pela beleza dos jardins e pela localização sobre o mar. O restaurante, o William, ganhou este ano a primeira estrela Michelin. Duplo desde 315€, 291 71 71 71, Est. Monumental, 139, Funchal, belmond.com

The Cliff Bay Este 5 estrelas, com 202 quartos e ligação direta ao mar, localizado sobre uma falésia, garante uma vista deslumbrante sobre a baía do Funchal. Aqui, requinte rima com tranquilidade e bem-estar. É a casa do restaurante Il Gallo d’Oro, com 2 estrelas Michelin, Duplo desde 226€, 291 707 700, Est. Monumental, 147, Funchal, portobay.com

Casa Velha do Palheiro O edifício tem 213 anos e está situado no meio de um vasto jardim, onde se destaca uma alameda de camélias com mais de 200 anos. Dispõe de 32 quartos e 5 suítes e tem um campo de golfe mesmo ao lado. Duplo desde 210€, 291 790 350, R. da Estalagem, 23, São Gonçalo, casa-velha.com

Quinta da Serra Localizado a 850 metros de altitude, todos os quartos têm vista para o mar ou para os jardins. Dispõe de uma excelente piscina interior aquecida e de um restaurante de referência de cozinha biológica e internacional. Duplo desde 80€, 291 640 120 Estrada do Chote, 4, Jardim da Serra, Câmara de Lobos

 


ONDE COMER

William Instalado no mítico Belmond Reid’s Palace, rodeado pela exuberância dos jardins subtropicais do hotel, em ligação direta ao mar, o restaurante conseguiu este ano a ambicionada estrela Michelin. Luís Pestana é o chef executivo e a cozinha dá prioridade total aos produtos da Madeira, como o frango biológico de produção local. O menu integra iguarias como a lasanha de lavagante com pak choi e alho francês (54€) ou o leitão confitado com tomate arbóreo (tamarilho), batata dourada e legumes (38€). 291 71 71 71, Estrada Monumental, 139, Funchal, belmond.com

Fajã dos Padres Um lugar único, de frente para o mar, dirigido pelo chef madeirense Amândio Gonçalves. A descida a pique de teleférico (300 metros) ou a deslocação de barco, os únicos acessos ao local, abrem o apetite. Os produtos chegam todos da horta ali ao lado, animais incluídos, e os peixes quase saltam da água para o prato. O cachaço de porco assado em forno a lenha com batata salteada e legumes da horta (15€) é um dos pratos de referência, mas também poderá optar por petiscos como as lapas grelhadas (9,5€), o atum salpresado (8€) ou os chicharros fritos (8,5€). 291 944538  Rua Padre António Dinis Henriques nº 1, Quinta Grande, fajadospadres.com

Il Gallo d’Oro Com duas estrelas Michelin, é o porta-aviões da cozinha madeirense no Funchal. Integrado no belíssimo cenário do Hotel Cliff Bay e dirigido pelo chef francês Benoît Sinthon, o menu investe nos produtos frescos locais e busca inspiração no mercado, no mar Atlântico e na ilha da Madeira. Os vários menus degustação (a partir de 105€) passam por pratos sugestivos como o Tártaro de atum com yuzu e gengibre, sorvete de tangerina e esparguete de ponzu; ou o lavagante azul, papas de milho, lima kaffir e fava tonka. 291 707 700, Estrada Monumental, 147, Funchal, portobay.com

Quinta do Furão Localizado em Santana, sobre uma arriba vertical ao mar, com uma vista esmagadora, o restaurante é dirigido por Herculano Jesus, um jovem chef funchalense, de 27 anos, que trabalhou já em Inglaterra e Itália. A cozinha vai buscar à própria horta biológica (certificada) boa parte dos ingredientes do menu. ‘Caldeirão Verde’, é o nome do prato mais emblemático da casa: um naco de novilho com Roquefort e massa folhada. 291 570 100, Estrada da Quinta do Furão, 6, Santana, quintadofurao.com

Casa Velha do Palheiro A elegante sala do restaurante está instalada numa casa construída há mais de 200 anos, rodeada de belíssimos jardins, ideais para uma pequena caminhada, antes ou depois da refeição. A cozinha, dirigida pelo chef executivo Rogério Calhau, tira o máximo proveito dos produtos da região. Delicie-se com o atum braseado com melancia prensada e chutney de groselha; com a truta curada do Seixal (freguesia madeirense) e molho wasabi; ou o peixe da ilha, funcho corado e legumes bebé. 291 790 350, Rua da Estalagem, 23, São Gonçalo, casa-velha.com

Bay View A vista sobre o Funchal e a baía é magnífica e abre o apetite para os pratos criados pelo chef Octávio Freitas, madeirense e profundo conhecedor da cozinha local. Aqui, opte por avançar sem carta, seguindo o menu ‘Experience by the chef’, numa das suas três versões (45€, 55€ ou 65€). O cliente não escolhe nada, entrega-se apenas nas mãos da cozinha. A ‘viagem’ gastronómica pode incluir Lapas Grelhadas sem truques com Manteiga de Alho e Salsa; Ovas de Espada com Ananás Grelhado, Salada de Favas cruas com Chouriço e emulsão de Limão; ou Ventrecha de Atum Assada com Papas de Milho e Molho Vilão. 291 700 200, Rua das Maravilhas, 74, Funchal, fourviewshotels.com

 

 

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