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PIMENTOS

by Beatriz Fragoso
PIMENTOS

Incluir pimentos e as suas primas ardentes, as pimentas, num menu pode de facto melhorar muito o nosso humor e podem mesmo ser viciantes.

Clarissa Hyman

Os pimentos coloridos são uma espécie de banda de música em qualquer festa: sejam vermelho-fogo, amarelo-canário, laranja-fluorescente ou verde-tropical, trazem o espírito da alegria para qualquer prato. São o primeiro degrau de uma escada picante que vai até às chamas do inferno dos chilis.

Crocante e suave, a sua textura revela-se logo à primeira dentada, sendo um produto muito versátil na cozinha. Podem comer-se fritos, assados, grelhados ou crus – isto apesar de serem considerados de difícil digestão por algumas pessoas. Fumados e marinados em azeite são deliciosos; e quando a pele, ligeiramente queimada, lhes é retirada, este simples gesto transforma por completo a sua textura e sabor.

Ao cozinhar, os pimentos soltam alguns sucos, ligeiramente doces, com os quais podemos confecionar sopas e molhos com personalidade. Os pimentos aparecem em pratos clássicos como o ratatouille ou o molho criollo sul-americano e recheados com arroz, carne e peixe.

O pimento (Capsicum annuum) é da família das Solanáceas e é muito utilizado na culinária de todo o mundo. Não é necessário um grande espaço para o cultivo deste vegetal: gosta do clima temperado e ameno (entre 21ºC a 30ºC) e a colheita faz-se entre o verão e o outono.

Nas suas distintas variedades, o pimento dá vida à cozinha mediterrânica e é um ingrediente típico do sul da Europa. Proveniente da América do Sul, é parente da batata, da beringela, do tomate e das pimentas. Esta hortaliça ficou conhecida na Europa na primeira metade do século XVI, trazida pelos exploradores espanhóis e portugueses. Rapidamente se tornaram muito populares como substitutos dos grãos de pimenta, muito mais caros.

 

Uma vez exportados para todo o mundo, foram integrados em várias cozinhas regionais. É difícil imaginar um caril ou um frango jamaicano sem aquela faísca picante. Pimentos e pimentas chegam em diferentes tamanhos e formas, incluindo o castanho e o púrpura e, claro, diferentes intensidades de “calor”. A regra é “quanto menor, mais picante”. A cor não serve de guia: pimentas vermelhas não são necessariamente mais picantes do que as verdes. A cor vermelha, tanto nos pimentos como nas pimentas, apenas indica que está maduro e com um alto teor de açúcar, ou seja, os que parecem mais inofensivos podem revelar-se intensos e ferozes no sabor.

O seu grau de ardor é medido pela escala Scoville (mede a quantidade de capsaicina – a substância química que produz a sensação de calor), onde os pimentos doces marcam zero e as malaguetas entre 50.000 e 100.000. Mas ser picante não é uma qualidade imprescindível nas pimentas, pelo que podem acrescentar calor e aroma ao prato sem necessariamente picar. Mais de 500 anos depois de terem chegado à Europa, os pimentos continuam a surpreender, sejam secos, moídos, fumados ou em conservas, conduzindo-nos a novas experiências e aos mais corajosos ao topo da escala de Scoville.

 


SABIA QUE…

⇒ Todos os tipos de pimentos nascem da mesma planta, são verdes enquanto imaturos e amadurecem num arco-íris de cores, nomeadamente vermelho, amarelo, roxo, azulado, etc. Além disso, o sabor, o formato e o tamanho mudam conforme a variedade. Assim, o pimento vermelho é simplesmente uma variedade mais amadurecida do pimento verde. Os pimentos verdes e roxos têm um sabor amargo, enquanto os vermelhos, laranjas e amarelos são mais doces. 
⇒ O pimento é uma das hortaliças mais ricas em vitamina C e, quando maduro, é uma excelente fonte de vitamina A. Também tem cálcio, fósforo e ferro. Aliado das dietas, é rico em fibras e tem poucas calorias.
⇒ Deve escolher os pimentos com aspeto firme e brilhante. Confira se o caule está verde e se não tem manchas, furos ou pontos negros na pele.
⇒ A pimenta é a especiaria mais cultivada no mundo. Existem mais de 200 variedades a crescer à volta do globo
⇒ A pimenta mais picante do mundo é a Trinidad Morugga Scorpion. Do tamanho de uma bola de golfe, chega a 1.2 milhões de unidades da escala de Scoville
⇒ A capsaicina é a substância que dá o calor à pimenta: faz o cérebro libertar endorfinas, cria uma sensação de bem-estar e pode ser efetivamente anestésico. Os Maias mascavam pimentas para eliminar as dores de dentes.
⇒ As pimentas estão entre as primeiras plantas cultivadas domesticamente na América Central, onde se acredita que são apreciadas desde 7500 a.C.

 

RECEITAS:

PIMENTOS MARINADOS COM SALMORIGLIO

PIMENTOS ASSADOS COM BACALHAU, TOMATES-CEREJA, ANCHOVAS, AZEITONAS E ALCAPARRAS

WRAPS DE PIMENTO E ATUM COM MOLHO DE LARANJA E WASABI

TORTILHA DE PIMENTOS, BATATA E QUEIJO DE CABRA

PIMENTOS RECHEADOS