Início Travel RABAT, A MOURA ENCANTADA

RABAT, A MOURA ENCANTADA

by Food and Travel Portugal
RABAT, A MOURA ENCANTADA

Visite Rabat, a capital marroquina, e descobrirá um lugar que se distingue das suas cidades vizinhas, mais turísticas. Nick Savage explora as suas ruas encantadas, a arquitetura e os vestígios arqueológicos.

 

Tal como os olhos de Mona Lisa, independentemente do lugar por onde eu vagueie em Rabat, o olhar do Rei Mohammed VI segue-me por todo o lado. A sua imagem pode ser encontrada em qualquer lugar: à entrada dos hotéis, nas salas de cinema, nos pátios interiores ou nos grandes outdoors pendurados no topo de edifícios em ruínas.

Numa tenda adjacente ao Kasbah dos Udaias (cidade histórica dentro de Rabat) as paredes são revestidas por mosaicos que exibem uma fotografia desgastada do Rei a fazer uma paragem na sua marcha para tomar um ‘asseer del litchine bil ma’zhaar (sumo de laranja com um travo de água-de-flor-de-laranjeira).

Como é típico dos muitos centros administrativos, existe uma tranquilidade reservada que atravessa a cidade de Rabat. A defesa real de Mohammed VI parece ter criado um campo de forças à volta da cidade protegendo-a e oferecendo uma vista autêntica sobre a antiga Marrocos.

Durante uma conversa à hora de almoço com Rachid El Guennoni, dono do restaurante Dinarjat, este destaca a importância da realeza em Rabat. Estendido no sofá, com a cabeça recentemente rapada, vestindo uma camisa branca ligeiramente amarrotada e usando uns óculos arredondados, Rachid fala com uma ressonante voz de barítono enquanto gesticula severamente com um cigarro na mão. ‘Onde quer que haja uma monarquia, há uma boa gastronomia,’ explica-me com ironia. ‘Tens de ter dinheiro e ser rico. A cozinha marroquina vem de cidades imperiais. Existe uma classe burguesa em torno do rei que desenvolve a arte da culinária.’

Rabat oferece vários dos melhores aspetos das cidades mais conhecidas de Marrocos: o surf de Essaouira, o cosmopolitismo de Casablanca, a energia de Marraquexe e a gastronomia de Fez. A medina tem as mesmas características dos outros mercados espalhados pelo país – mendigos, vendedores ambulantes e o caos habitual – mas funciona de uma forma mais organizada do que acontece noutros destinos mais frequentados pelos turistas.

Ao atravessar um corredor, sou obrigado a deslocar-me ao longo de uma parede azul da cor do céu, enquanto um homem vestido tradicionalmente com um djellaba (manto) vai conduzindo uma carreta cheia de morangos que enchem o ar com o seu aroma de Verão. Caminhando por outra ruela, encontro uma barraca que expõe cabeças de borrego fumegantes, de bocas desleixadamente abertas, ainda com alguns dentes e a carne em pedaços deixando à mostra parte do crânio. A sua carne cozida é polvilhada com cominhos, sal e pimenta e depois colocada dentro de meias-luas de khobz chair, um pão alto de origem judaico-marroquina cuidadosamente coberto de sementes de sésamo.

 Mais à frente há uma carroça que serve de suporte a um tanque de grandes dimensões cheio de um líquido castanho sujo e de conchas em espiral: são escargot (caracóis) aromatizados com anis, raiz de alcaçuz e cominhos. Uma vez colocados numa tigela, com a ajuda de uma concha, forma-se uma fila de homens e mulheres que arrancam os gastrópodes das suas conchas com palitos de madeira. Uma mulher jovem mergulha espigas de milho, de um amarelo reluzente, em água salgada antes de as entregar aos clientes que passam.

Nos outros souks (bazares) de Marraquexe, em Fez e Tânger, é fácil sentirmo-nos rodeados pela constante atenção de candidatos a guias turísticos, mas na movimentada Medina de Rabat, os turistas são deixados por sua conta. Às vezes até parece que são eles que perturbam as rotinas locais e não o contrário. Num país que sempre teve um negócio turístico robusto, Rabat é mais frequentado por diplomatas do que por turistas de olhos arregalados.

Mais tarde, nesse mesmo dia, fui guiado através de passagens estreitas da medina por um homem que segurava uma lanterna de ferro fundido. O percurso, de ruelas labirínticas, torna-se ainda mais desconcertante sob o céu do anoitecer. Chegamos a uma pesada porta de madeira com o lintel ornamentado e coberta de pregos de ferro. A minha escolta bate à porta bruscamente, deixando-me preocupado com a audição de quem quer que esteja do outro lado.

O que me espera lá dentro não podia contrastar mais com a experiência que tive nas ruas. Situado numa mansão do século XVII, com um pátio a céu aberto, Dinarjat é uma pausa relaxante para uma mente eufórica. Dois homens vestidos com trajes tradicionais tocam o oud e o doumbek, versões de alaúde e tambor de mão, vindos da Costa Bárbara. Uma fonte acompanha a melodia dos instrumentos. Os Zellige (telha de mosaico tradicional) decoram a sala e surpreendem os convidados com a complexidade do seu padrão. Vestido com um kameez (manto) preto e um capuz dourado, o empregado que nos servia Khadija, vertia o chá de menta de uma altura incrível para arrefecer o líquido e criar uma mousse espumosa à superfície.

O Sr. El Guennouni prefere que os funcionários da sua cozinha sejam mulheres. Insiste que elas são melhores cozinheiras uma vez que, historicamente, a gastronomia marroquina passou de geração em geração através de herança materna. Acompanhando uma garrafa de Médaillon Rosé Syrah, de uma zona perto de Benslimane, eu desfruto de uma pastilla (folhado agridoce) coberta com açúcar e canela.  A sua warka, uma massa folhada extremamente leve e fina parecida com a massa filo, envolve uma saborosa mistura de carne de pombo, limão, ovo, pasta de amêndoa e mel. Nascidas do casamento entre as cozinhas Berbere e Persa, as pastillas são uma criação culinária que foi sendo filtrada da cozinha dos palácios até à cozinha das casas comuns e depois para as ruas.

De súbito, a minha atenção foi desviada da pastilla para a chegada de uma tagine de perna de borrego servida com arroz de açafrão e uma porção generosa de corações de alcachofra assados. As tagines são vasos de barro usados para preparar os pratos e a comida no seu interior – o fumo condensa na tampa em forma de cone e depois escorre novamente para manter a carne tenra.

No dia seguinte, percorro a Avenida Mohammed V para Sul e observo as três personalidades arquitectónicas que definem a cidade – a antiga, a francesa e a contemporânea. O melhor é começar por um passeio rápido à volta do Kasbah dos Udaias. Originalmente construído no século X como um ribat (forte) para proteger os Almorávidas, não demorou muito tempo até falhar no seu propósito e ser demolido. Mais tarde, voltou a ser reconstruído pelos Almóadas. As suas muralhas cor de mel sobressaem pela foz do Rio Bu Regregue. Aí, nas águas mais escuras do Atlântico, que banham a Praia de Rabat, surfistas e praticantes de bodyboard vão-se fazendo às ondas.

Enquanto continuamos a caminhar para sul, a energia e a desordem da Medina dão lugar a uma vasta avenida delimitada por duas filas de tamareiras. A ville nouvelle (nova cidade) exibe uma influência do melhor da arquitetura gaulesa, do período em que Marrocos foi um protetorado francês, a partir de 2012, e fez de Rabat a capital.

Durante a tarde, as arcadas da Avenida Mohammed V estão repletas de gente. O Hotel Balima, agora fechado, situado em frente ao edifício do parlamento, evoca o requinte desgastado dos Anos 20. A Gare de Rabat Ville (estação de comboios) foi construída nos Anos 30. A sua arquitetura é uma mistura lúdica de art deco e futurismo com detalhes mouriscos. Mais a sul, localiza-se o bairro de Agdal, um distrito comercial próspero e moderno, e depois Souissi, zona recheada de hotéis de luxo, villas e embaixadas.

É sexta-feira à tarde. Depois do jumu’ah, o tempo de oração logo após o meio-dia, os administradores públicos regressam a casa para desfrutar de uma refeição de couscous, um verdadeiro cerimonial familiar. No restaurante La Maison Arabe, em La Tour Hassan, o meu anfitrião Hayat Guedayia diz-me que tradicionalmente, o carisma de um patriarca é medido pelo rigor com que consegue repartir as refeições de forma igual por todos.

É habitual neste dia comer kseksou bidawi, couscous com borrego e sete vegetais, sendo o número sete considerado próspero. O borrego é colocado debaixo de uma pirâmide de cenoura, couve, abóbora, tomate, nabo, courgette e tutano, e posteriormente coroado com passas e grão-de-bico.

Lalla Latifa, que trabalha no La Maison Arabe há 26 anos, prepara o meu prato. É uma figura impressionante, cuja pele morena contrasta com a jaqueta de chef e a faixa branca que usa na cabeça.

Latifa iniciou a sua carreira a estudar na École Hôtelière Touarga, a escola de culinária real criada pelo Rei Hassan II no complexo do seu palácio. Explica-me que não existe uma abundância de especialidades locais porque a cozinha marroquina tende a ser global, com pratos definidos pelos produtos que estão disponíveis.

Caminhando dez minutos para leste vamos encontrar a Torre Hassin, o minarete da uma mesquita construída em 1195 pelo Sultão Almóada Yaqub al-Mansur. Feita de arenito ocre, ergue-se a 43m de altura em forte contraste com a brancura da praça e as filas de pilares em ruínas à sua volta. O Mausoléu de Mohammed V está na ponta oposta da praça, onde o pai e o avô do atual rei de Marrocos foram sepultados. Um olhar ao interior revela a forma como a realeza é venerada em Rabat – o edifício é muito opulento mas permanece notavelmente tranquilo. Um imã (líder espiritual) repousa num tapete de pele de ovelha a ler passagens d’O Corão, rodeado pelos mosaicos de padrão complexo, esculpidos no estuque das paredes, usando a técnica de yeseria.

O local mais fascinante em toda a cidade de Rabat é, indiscutivelmente, Chellah, localizado em frente do Palácio Real. A sua história é rica e visitá-lo é uma experiência fantástica. Originalmente construído pelos Fenícios, foi depois conquistado pelos Romanos em 40 a.C. e transformado numa cidade – os seus pilares, ruas e paredes ainda existem. No século XIV, o Sultão Abu I-Hasan, da Dinastia Merínida, converteu Chellah numa necrópole. Enquanto nos deslocamos energicamente ao longo das ruínas e dos jardins botânicos, ouço um barulho estranho vindo de cima. Pergunto ao meu guia, Hamid Ouriti, de onde vem o som. ‘Laqlaq’, responde-me, a palavra árabe onomatopaica que significa cegonha. Há um enorme bando delas! Fizeram deste lugar a sua casa, indo pescar no Rio Bu Regregue, nidificando no topo das pedras e batendo implacavelmente os seus longos bicos .

Daqui, a viagem é curta até Mohammedia, conduzindo ao longo da costa desenvolvida de Temara até aos matagais rasteiros, interrompidos apenas pelos campos dourados de trigo e de milho. Vale a pena fazer a viagem até aqui para assistir à primeira pescaria da manhã no Le Restaurant du Port, que é gerido pela mesma família há 30 anos. Os convidados jantam debaixo de uma pérgula à sombra da folhagem abundante de uma Buganvília. Um carrinho desloca-se transportando salmonetes, douradas, solhas e rodovalhos, além de várias lagostas que tentam escapar-se.

Enquanto a dourada que nos era destinada estava a assar ao sal no forno de pedra, tive a oportunidade de falar com Pascale Arnoux, a gerente do restaurante. Nascida em Casablanca, a sua família mudou-se originalmente de França para cá, em 1912. Pascale é muito rápida a definir a dicotomia entre cozinha e gastronomia. ‘Os marroquinos organizam jantares de uma forma semelhante aos franceses e japoneses,’ diz. ‘Isto é o que acredito ser a gastronomia, devido às regras e tradições que devem ser respeitadas para que uma refeição seja bem sucedida.’

O chef principal de Pascale, Willy Benjamin, foi atraído das elogiadas cozinhas de Joël Robuchon, em Paris e Las Vegas, pela qualidade dos produtos marroquinos que, defende, são dos melhores do mundo – bem como os temperos únicos.

‘O uso de sabores ousados mudou a minha forma de pensar em relação aos sabores delicados e subtis com os quais estou habituado a trabalhar,’ diz ele. ‘Aqui a comida explode em condimentos, sabor e cor.’ Isto enfatiza uma afirmação feita anteriormente pelo Sr. El Guennouni, que eu tinha ignorado: ‘os pratos de França e Espanha são mais influenciados pelos sabores marroquinos do que o contrário.’

Independentemente da face em que aterrar a moeda, é evidente que Rabat é uma cidade com muito a oferecer. Vaguear pelos mercados e cidades de Marrocos é uma prática que tem sido romanceada há centenas de anos mas é difícil usufruir de uma experiência igual às relatadas por Edith Wharton ou Paul Bowles quando há turistas de toda a Europa a aterrar aqui 20 vezes por dia. Rabat, na sua maior parte, permanece imaculada. E não conseguimos fugir da sensação de que há uma mão invisível que a mantém assim.

 


INFORMAÇÃO DE VIAGEM

Rabat é a capital de Marrocos e o tempo de viagem é de cerca de 4 horas desde o Aeroporto de Lisboa (via Madrid) até ao Aeroporto Rabat-Salé, que fica a dez minutos de carro do centro da cidade, aproximadamente.

 

DICAS ÚTEIS

A moeda é o Dirham marroquino e o país tem uma hora a mais de diferença em relação a Portugal. Durante o Verão a temperatura máxima é em média 27ºC e a mínima é em média 18ºC. Durante o Ramadão, muitas das lojas, restaurantes e cafés estão fechados, por isso tome isto em atenção quando planear uma visita a Rabat.

COMO CHEGAR

A TAP faz a ligação Lisboa-Madrid flytap.com e a RyanAir faz os voos até Rabat ryanair.com

FONTES DE INFORMAÇÃO

Delegação Oficial do Turismo de Marrocos Toda a informação sobre o país e os melhores roteiros turísticos para ficar a conhecer Marrocos e sua cultura. R. Artilharia Um, 79 – Loja A, 1250-038, Lisboa, visitmorocco.com

LEITURA ADICIONAL

In Morocco por Edith Wharton é o relato das viagens da escritora norte-americana pelo país após a Primeira Guerra Mundial. O seu estilo de escrita capta a essência de Rabat.

 


ONDE FICAR

L’Amphitrite Palace Resort Apenas a 20 minutos de carro do centro de Rabat, no distrito da praia de Temara, L’Amphitrite é um hotel branco ao estilo art deco que combina o desenho marroquino com o ambiente de Miami. Erguendo-se ao longo das areias claras da praia de Skhirate e da água azul do Atlântico, é um dos primeiros resorts de praia nesta zona, com uma piscina de hidromassagem, uma piscina de exterior, jacuzzi e 13 salas de tratamento privadas. Duplos desde 110€. P4030, Skhirat 12050, 00 212 5376 21000, lamphitrite-palace.com

 Dar El Kebira A Medina supera todos os outros lugares de Rabat graças à sua energia pura. Dar El Kebira é um riad (palacete) de uma beleza histórica localizado mesmo no centro. Meticulosamente restaurado, para adequar a sua arquitetura mourisca clássica ao viajante moderno, oferece dez quartos, um banho turco tradicional e uma das mais invejáveis vistas sobre a cidade, a partir do terraço no telhado. Duplos desde 105€. Rue des Consuls, 1 Impasse Belghazi, Ferrane Znaki, Rabat 10000, 00 212 5377 24906, darelkebira.com/en

 Sofitel Rabat Jardin des Roses O nome deriva dos seus magníficos jardins andaluzes, ornamentados com 300 roseiras espalhadas por 17 hectares. O Sofitel integra ainda dois bares, três restaurantes e a discoteca mais animada da cidade, um espaço que acolhe muitas celebridades durante o Mawazine Festival. Duplos desde 200€. Impasse Souissi, Rabat 10000, 00 212 5376 75656, sofitel.com

 La Tour Hassan Localizado no coração do distrito comercial de Rabat, La Tour Hassan é um hotel de cinco-estrelas, um exercício de luxúria, com um estilo mourisco tradicional, três restaurantes, banho turco, spa, ginásio e um lounge. É o hotel favorito de todas as celebridades quando filmam nesta zona. Clint Eastwood, por exemplo, tocou as teclas do piano do bar durante as filmagens do Sniper Americano. Duplos desde 195€. Rue Chellah, 26, BP14, Rabat 10000, 00 212 5372 39000, latourhassan.com

Villa Mandarine Localizado dentro de um hectare de jardins tumultuosamente verdes, no meio de um pomar de 700 laranjeiras, este hotel boutique, gerido por uma família, está no distrito das embaixadas de Souissi. Oferece apenas 36 quartos decorados distintivamente, muitos dos quais exibem terraços virados para o jardim. O lema aqui é a tranquilidade. Duplos desde 168€. Rue Ouled Bousbaa, Souissi, 10000, 00 212 5377 52077, villamandarine.com

 


ONDE COMER

Os preços indicados são individuais, para entrada, prato e sobremesa, excluindo vinho, a menos que seja referido o contrário.

Dinarjat É muitas vezes a primeira paragem para as refeições dos diplomatas que visitam Rabat. O ambiente de romance no Dinarjat é evidente. Os convidados são guiados através de passagens sinuosas da Medina até uma mansão de estilo Andaluz do século XVII, onde vários músicos tocam temas tradicionais ao vivo, no pátio. Aqui, o menu marroquino oferece os melhores e mais frescos produtos do mercado. 25€. Boulevard El Alou, Rabat 10030, 00 212 5377 04239.

Le Restaurant Du Port Localizado na cidade portuária de Mohammedia, uma zona mais informal, este é um dos locais favoritos dos habitantes de Rabat e Casablanca. O menu está sustentado no peixe, que chega de manhã cedo, preparado com simplicidade. Durante a nossa visita, desfrutámos de uma dourada assada no sal, servida com uma fatia de lima e batata aligot (puré de batata com queijo e alho). Não perca também a tarte tatin. 25€. Rue de Mauritanie, 1 (ex-Rue du Port), Mohammedia 20800, 00 212 5233 22466, restoport.ma

Tajine Wa Tanjia Assim chamado em homenagem aos seus pratos principais, o Tajine Wa Tanjia está localizado ao lado da estação de comboios. O restaurante especializou-se em carnes exóticas como as de camelo e avestruz, preparadas em tagines ou tangias (vasos de argila). Não perca o poulet aux citron et olives (galinha com limão e azeitonas) ou a tanjia chameau (tagine de camelo). 15€. Rue Baghdad, Rabat 10000, 00 212 5377 29797.

Villa Mandarine Situado num dos mais belos jardins, seria necessário ter um coração de ferro para não experimentar uma certa joie de vivre, neste restaurante, ao abrir uma garrafa do orgânico Syrah de Saignée local, enquanto pavões abrem caminho através das buganvílias. A comida combina com o cenário. O menu é constituído por pratos europeus e do Norte de África. 30€. Rue Ouled Bousbaa 19, Soussi 10000, 00 212 5377 52077, villamandarine.com

Le Ziryab Este restaurante tem semelhanças com o Dinarjat. Os convidados são conduzidos ao longo dos becos em espiral, no quadrante norte da Medina, até uma porta ornamentada. Ao entrar, damos conta de um um belo pátio com música de alaúde tocado ao vivo. O menu é fixo, perfeito para aqueles mais avessos à escolha. 40€. The Ziryab, Impasse Ennajjar, 10, Rue des Consuls, Medina, Rabat 10030, 00 212 5377 33636. restaurantleziryab.com

 


ONDE BEBER

ONDE BEBER

Les Deux Palais Não há lugar melhor para conhecer a cultura local de bares. Propriedade de Rachid El Guennouni, também dono do Dinarjat, oferece cerveja barata e um menu de grelhados com influência de toda a zona Mediterrânica. Avenue Ouarzazate 14, Rabat 10010, 00 212 5376 60266

Le Dhow É ligeiramente mais turístico e os preços são um pouco altos, mas desfrutar de gins tónicos no convés de um barco dhow de Kerala, enquanto se ouve a chamada para a oração e se vê o pôr-do-sol atrás do Kasbah dos Udaias é uma experiência inesquecível. Quai de Buregreg, Avenue Al Marsa, Rabat 10000, 00 212 5377 02302, ledhow.com

Le Grand Comptoir Situado na Avenida Mohammed V, Le Grand Comptoir exibe música ao vivo e é frequentado por uma clientela jovem e elegante. Avenue Moahammed V, 279, Rabat 10000, 00 212 5372 01514, legrandcomptoir.ma

 


A NÃO PERDER

Domínio Ouled Thaleb Qualquer pessoa que visite Rabat e tenha uma inclinação para vinhos vai, sem dúvida, descobrir uma ou duas garrafas desta quinta vinícola em Benslimane, gerida por Thalvin. A herdade produz uma vasta variedade dos mais conhecidos vinhos de Marrocos. Medaillon é a sua marca mais conhecida, mas foi o charme de CB Signature que mais nos impressionou.

Mawazine Festival Visitámos Rabat antes do Ramadão durante o fim-de-semana do Mawazine Festival, um dos maiores festivais de música em África, que atrai mais de 2 milhões de pessoas. Ali participam nomes como Stevie Wonder, Sting, Santana, BB King ou Rihanna, Chris Brown e Iggy Azalea. O Festival acontecerá novamente em Maio.

Temara A extensão do oceano até ao oeste de Rabat está bastante ocupada pelo imobiliário, mas os bungalows frequentemente recuam para oferecer fragmentos de maravilhosos e claros areais ou cabos rochosos, com ondas fortes e piscinas naturais muito peculiares.

 


GLOSSÁRIO

Chermoula Embora as receitas variem, chermoula é uma das marinadas mais comuns em Marrocos e em toda a região do Magrebe. Em geral, é feita com limão em conserva, sumo de limão, azeite, cominhos, alho e sal. Pode também levar pimenta preta, malagueta, salsa e açafrão

Couscoussier Couscous é, indiscutivelmente, a refeição central em Marrocos e o prato cerimonial das sexta-feiras. Para o preparar,  é necessário um utensílio especial. Em Marrocos, a base é chamada de qadra e o vaporizador é chamado de keskes; no entanto, a palavra francesa couscoussier, é o termo mais usado

Gharbal Uma espécie de peneira rústica usada para separar os grãos de couscous. Originalmente feitos de cabedal, os gharbals são agora produzidos com metal trançado

Gsaa Uma gsaa é essencialmente uma tigela de grandes dimensões utilizada para fazer pão e couscous. Pode ser feita de barro ou de madeira esculpida

Halwa chebakia Uma bolacha de sésamo marroquina moldada em forma de flor. Primeiro é frita e depois submersa em mel. Serve-se durante o Ramadão e noutras ocasiões especiais

Harissa Provavelmente o condimento mais popular do país, a harissa é geralmente uma massa de pimento vermelho, menta, coentros, cominhos, sementes de alcaravia, alho e azeite

Ras el hanout Uma mistura de especiarias (frequentemente, os donos destas receitas guardam-nas religiosamente, longe de olhares alheios). A ras el hanout geralmente contém pimenta-da-jamaica, cravo-da-índia, pimenta cayenne, cominhos, cardamomo, canela, coentros, gengibre, noz-moscada e açafrão

Tagine É o nome dado ao equipamento de cozinha e ao prato nacional mais icónico de Marrocos. Comer numa tagine é uma prática diária para os turistas e os marroquinos

Tangia Feita de barro, como a tagine, mas moldada como uma ânfora grega, a tangia é conhecido por ser um prato de solteiros. Historicamente, jovens homens ou soldados enchiam-nas de carne, limão em conserva e ervas e depois levavam-nas para o banho turco e deixavam-nas a repousar nas brasas durante várias horas para serem cozinhadas lentamente.

Za’atar Idêntico ao tomilho-limão, za’atar é uma das especiarias favoritas no Magreb. É comido frequentemente com pão pitta.

 

Para mais artigos sobre viagens compre já a revista Food and Travel Portugal. Num quiosque perto de si.

Veja outros artigos