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SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: AS ILHAS DO LEVE, LEVE!

by Food and Travel Portugal
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: AS ILHAS DO LEVE, LEVE!

Sustentabilidade é a palavra de ordem no turismo de São Tomé e Príncipe, um pequeno país atravessado pelo equador no imenso azul do Atlântico. A beleza das ilhas e a simpatia dos habitantes somam-se à impressionante variedade de produtos da terra e do mar que inspiram a criatividade de qualquer chef de cozinha, como nos conta José Fragoso.

FOTOGRAFIAS: CARLOS FERREIRA

 

Visto do espaço, São Tomé e Príncipe é um pequeno pontinho verde no meio do oceano imenso. Visto de baixo, este país africano é um dos mais espantosos lugares da Terra, daqueles onde o tempo pouco conta, tão impressionantes são as dezenas de baías e pequenas praias quase desertas, o verde esmagador da floresta equatorial ou a infinidade de frutas tropicais, ervas aromáticas e folhas com fama medicinal e gastronómica. E, claro, as pessoas! Daí que a vida corra leve-leve, como gostam de dizer os seus habitantes.

Peixes e búzios

Numa terra que tudo dá, a cozinha faz-se de produtos locais, venham do mar ou da mata. Neves é o nome de uma pequena localidade piscatória na costa norte de São Tomé. Das águas profundas da sua costa, a mais de 1.200 metros, saem uns caranguejos grandes, aqui chamados de santolas. Na praia, as pirogas escavadas na madeira estão alinhadas para a pesca. Uns passos mais acima, está o restaurante Santola onde a D. Domingas prepara, como faz há mais de 25 anos, os saborosos caranguejos, pescados em grandes gaiolas. Os mariscos são cozidos e servidos com pão torrado e banana frita. O miolo das carapaças é misturado com cerveja, limão e maionese. Há santolas de 1,5kg, 1kg e 1/2kg, com preços que variam entre os 5 e os 8€. “Às vezes os pescadores perdem as gaiolas por causa da agitação do mar”, conta-nos Joel Ramos, empregado do Santola, “Nesses dias recebemos menos quantidade. Mas temos sempre marisco apanhado poucas horas antes de ser servido. Vendemos aqui umas 30 santolas por dia”. Numa passagem pelos mercados locais é evidente a diversidade de peixes de todos os tamanhos: peixes-voadores, atuns, garoupas, corvinas, peixes-azeite, sardinhas, búzios, espadartes.

Vendedores de vegetais, no mercado

Acompanhámos o chef Vítor Hugo, do Hotel Omali, numa manhã de compras – frutas, vegetais, ervas aromáticas, peixes. O ambiente do mercado de rua impressiona pelo ruído, a cor e a quantidade e diversidade de produtos. Vítor Hugo decidiu-se por umas sardinhas pequenas e por um peixe-rei (também conhecido aqui por olho grosso) de vários quilos. Já na cozinha da piscina do Omali, o chef mergulha as sardinhas numa marinada (sumo de limão, sal e pimenta), passa-as por fuba (farinha de milho) e serve-as fritas com uma salada de tomate verde, cebola e carambola. O peixe-rei vai ter um destino diferente: cortado em filetes, é cozinhado em azeite com molho de manteiga de coentros e servido com vatapá. “O nosso objetivo é fazer pratos utilizando produtos locais próximo dos 100%, numa linha de comida de conforto”, explica.

Este é um dos princípios base da gastronomia são-tomense que vamos encontrar por toda a ilha. Como acontece no pequeno restaurante ao ar livre da Ti Vivência, no centro de São Tomé, muito popular entre os locais, dada a frescura dos ingredientes e o talento da cozinheira: “Hoje há muqueca, amanhã vou fazer molho fogo (uma receita com peixe fumado, azeite de palma, malaguetas e outros temperos)”, conta Ti Vivência que começou por vender a sua comida na rua mas, há dois anos, com o aumento da freguesia, optou por abrir este espaço: “Cada dia só faço um prato e só vendo o que tenho. Quando acaba, acaba!”

Uma garoupa nas mãos do chef João Carlos Silva

Rodando para sul da ilha, chegamos a São João de Angolares e à roça com o mesmo nome, local onde o mais conhecido chef são-tomense montou o seu restaurante. A criatividade de João Carlos Silva leva-nos a uma viagem pelos sabores de São Tomé, interligados com outros que a memória do chef vai guardando das suas múltiplas viagens: “Uso 80% de produtos locais, mas gosto de trabalhar com uma percentagem de coisas vindas de fora. Nós roçamos o mundo aqui mesmo. Esse é o nosso lema”, explica-nos, “Planto na nossa horta, mas também procuro fora, compro e pago. O nosso restaurante é uma fonte de desenvolvimento local, contribui para a economia da região, é um rendimento para pescadores e agricultores a quem compramos produtos”. E é também um dinamizador de emprego. Aqui trabalham 30 jovens, todos da localidade de São João de Angolares. A comida é preparada à vista dos clientes, em tachos e frigideiras, sobre o lume de fogueiras. À mesa, os clientes são surpreendidos pela presença, o humor e a variedade de sabores desenhados por João Carlos Silva. A degustação passa por entradas como o ‘bolinho de amendoim mergulhado em farinha de mandioca, lágrima de gindungo, banana pão assada no forno recheada com bacon e atada com erva príncipe’ ou pratos como o ‘frango com legumes, pau pimenta, ossame, pimenta, leite de coco, coentros selvagens, batata-doce e arroz de curcuma’.

Produtos da ‘Delícias das Ilhas’

Apesar da variedade de produtos disponíveis, poucos são transformados e conservados, dada a quase inexistência de unidades que se dediquem a esse trabalho. Em São Tomé, vamos encontrar uma excepção: a Delícias das Ilhas, gerida pelo francês Bastien Loloum, a funcionar desde 2010. Formado em ecoturismo, Bastien veio para São Tomé como voluntário e ficou. Oriundo de uma família da região de Cognac, trazia no sangue fórmulas e receitas que aplicou aqui nas ilhas africanas. “Fazemos 60 referências de produtos: licores, doces, secagem de folhas – como a chalela ou erva do príncipe, óptima para chás e culinária, a de caneleira, de sape sapeiro, de micocó, considerada afrodisíaca –, de ervas aromáticas, frutos secos, sabão de óleo de coco com aromas locais e banana prata seca”, conta Bastien. A empresa tem 11 funcionários e uma roça própria, onde cultiva 70% dos produtos utilizados – os restantes 30% são adquiridos a agricultores de São Tomé e do Príncipe. Depois de transformados, os produtos são embalados “em caixas feitas à mão na própria empresa” e distribuídos por lojas e supermercados locais e exportados para países como Portugal, França ou o Gabão.

Também no centro da capital está o projeto Pipaga, onde o milanês Rogério Totso gere iniciativas de apoio a agricultores que seguem práticas biodinâmicas e de ligação aos programas de alimentação e saúde escolar. Integrado também neste projeto, abriu há poucas semanas uma pequena fábrica de transformação de produtos, a Fluta Non (Produto da Terra, em crioulo), onde mais de 80 agricultores vão deixar as suas colheitas para transformação em farinhas ou frutas desidratadas em pedaços, como a banana, a jaca ou o mamão. ‘Assim, conseguimos evitar o desperdício de produtos que antes se perdiam”, conta Giovanna, uma italiana que dirige a unidade, onde trabalham já 14 pessoas.

 

 

Cláudio Corallo e a filha, Ricciarda, na Roça do Terreiro Velho

Vamos agora até ao Príncipe. O voo dura cerca de 40 minutos e a chegada à pequena ilha é como entrar num documentário sobre a vida na terra: praias desertas de areia branca e florestas tropicais cheias de pássaros exuberantes. Subindo à Roça do Terreiro Velho, vamos encontrar Cláudio Corallo, 67 anos, um especialista na produção de café e cacau e, agora, na produção do seu próprio chocolate. Natural de Florença, com o curso de Agronomia Tropical, descobriu o Príncipe quando veio fazer mergulho no final dos anos 90.

“A minha especialidade era o café, mas aqui comecei a dedicar-me também ao cacau. Quis produzir cacau com a mesma qualidade excelente com que já produzia café”, explica Cláudio enquanto nos prepara meticulosamente um café numa enorme cafeteira, “Para ter sucesso, ou somos uma multinacional, com muitos meios, ou temos de ser os campeões da qualidade. E nós temos a melhor qualidade do mercado”. Da plantação de cacau à produção de chocolate foi um passo.
“Hoje faço chocolate como um toscano faz bom vinho: usando os melhores frutos, trabalhados o menos possível”, conclui Cláudio. O seu chocolate é vendido on line e um pouco por todo o mundo: “Prefiro as lojas onde é o patrão que está por detrás do balcão e que sabe explicar a qualidade dos produtos”. Cláudio é apoiado pela filha Ricciarda, que vive com ele na roça e já domina o negócio: “No futuro, só quero dedicar-me às plantações, ao laboratório e ao mergulho. Ela vai tomar
conta do resto!”

Uma praia (quase) deserta na ilha do Príncipe

O Príncipe é uma preciosidade natural no Atlântico, reserva da Biosfera da Unesco e uma ilha onde vivem pouco mais de 7.500 pessoas. Num cenário assim, o turismo tem de respeitar regras de sustentabilidade e de integração com o espaço e os seus habitantes. Daí que os chefs dos resorts da ilha – Bom Bom, Sundy Roça e Sundy Praia, todos do grupo sul-africano HDB – tenham extremo rigor nos seus menus, procurando sempre a ligação ao que a terra e o mar dão. O italiano Ângelo Rosso, chef do mais exclusivo resort do Príncipe, o Sundy Praia, diz-nos: “Aqui, é preciso muita criatividade”. E a sua carta é um exemplo. A prova está em pratos como o ‘Peixe com molho de maracujá e coco, óleo de coco e banana pão’ ou a sobremesa ‘Despertar do Príncipe’, com coco, mamão, papaia, cacau, mel e sal, chocolate de aveia, gelado de arroz, iogurte e muesli da Roça Paciência.

Outro chef, o português Pedro Quintas, à frente da cozinha do resort Bom Bom, também joga na criatividade: “A maior surpresa que tive quando aqui cheguei foi o número de ervas frescas disponíveis. E já aprendi alguns segredos da cozinha local com pessoas de cá, como a fazer chips de matabala, por exemplo”. A sua mousse de jaca e o gelado de jaca, duas sobremesas, são feitas 100% com produtos do Príncipe.

Na Roça Paciência, com o seu velho sino pendurado do alto de um depósito de água, cultivam-se muitos dos produtos usados por estes chefs. E fazem-se também sabonetes, usados nos hotéis, café, frutas desidratadas, farinhas, pimenta. Dico, um são-tomense de 32 anos, trocou a pesca pelo trabalho na roça e é hoje o responsável pelo forno e pelo enorme secador, onde secam fruta-pão, malaguetas ou cacau: “A pesca não é uma arte, é conhecimento. A agricultura é uma arte, foi por isso que troquei”, conta-nos. Noutro ponto, a fazer cestaria, vamos encontrar Leandro, 76 anos. “Sou de Cabo Verde mas vim para aqui quando era muito jovem para trabalhar na roça. Há uns anos fiz um curso de formação e dediquei-me a este trabalho de artesanato”.

O marco do Equador

 

Uma viagem a São Tomé e Príncipe não fica completa sem passarmos do hemisfério norte para o sul, um exercício só possível no Ilhéu das Rolas, atravessado pela linha do equador. Carlitos, 29 anos, será o nosso guia nesta última etapa. Ele é também pescador e condutor do barco que nos leva da praia de Inhame, na ponta sul de São Tomé, até ao ilhéu, cruzando um canal onde é fácil ver golfinhos e enormes baleias entre junho e outubro. É preciso subir pela mata verde, antes de chegarmos ao miradouro com um planisfério desenhado no chão e o marco que assinala os estudos que Gago Coutinho desenvolveu em São Tomé no início do séc XX.

Com um pé em cada hemisfério, o azul do mar em frente, a brisa doce e quente e o verde por todo o lado, é difícil imaginar melhor lugar no mundo!

A equipa de reportagem da Food and Travel viajou para São Tomé e Príncipe por cortesia da TAP Air Portugal.

 

 

 

 


INFORMAÇÃO DE VIAGEM

As ilhas de São Tomé e Príncipe localizam-se no Golfo da Guiné e têm 160 mil habitantes. Na costa africana, os países mais próximos são o Gabão, os Camarões, a Guiné Equatorial e a Nigéria. A hora é a mesma que em Portugal.

DICAS ÚTEIS

A moeda local é a dobra. Um euro vale 25 dobras. O câmbio pode ser feito em vários pontos da cidade, mas a generalidade dos hotéis, restaurantes e lojas aceitam euros. Os turistas portugueses não necessitam de visto, se a permanência no país não exceder as duas semanas. Convém ir munido de um bom repelente de mosquitos. A temperatura média, em maio, oscila entre os 23ºC e os 29ºC.

COMO CHEGAR

A TAP tem voos regulares para São Tomé e Príncipe com uma curta escala em Acra (Gabão). A viagem desde Lisboa dura cerca de 9 horas.  De São Tomé para a ilha do Príncipe há duas companhias que garantem voos diários: a Africa’s Connection e a STPAirways.

FONTES DE INFORMAÇÃO

Os Serviços Turísticos de São Tomé e Príncipe têm uma plataforma que fornece todas as informações sobre o país, hotéis, sugestões de visita e outros elementos importantes no planeamento da sua viagem.

 


ONDE COMER

Os preços, quando indicados, são sempre por pessoa, excluindo vinho.

Omali Lodge Dirigido pelo jovem chef português Vítor Hugo, com consultoria de André Magalhães, apresenta um menu variado, onde cerca de 90% dos produtos são de origem local. O peixe é um dos mais utilizados, mas sempre com o cuidado de não recorrer a espécies ameaçadas de extinção. O calulu, a santola das Neves ou a caçarola de borrego com quiabos e pasta de amendoim e beringela são alguns dos pratos imprescindíveis. Preço médio: 20€. 00239 222 2350, Praia do Lagarto, São Tomé, omalilodge.com

Filomar Com uma vista esplêndida para o mar, gerido pela D. Filó, natural de Santiago, Cabo Verde, o restaurante foi um dos primeiros do país, aberto há 34 anos. Aqui, o peixe grelhado é rei, servido com banana pão a murro, mas há espaço ainda para o calulu são-tomense, o caril de polvo ou frango e a cachupa. Preço médio: 15€. 00239 222 1908, Praia Lagarto, São Tomé

Papafigo Localizado no centro da cidade, num espaço ao ar livre, dispõe de um enorme grelhador, capaz de receber os peixes mais frescos do dia. A travessa mista inclui peixe azeite, bonito ou peixe andala. Vale a pena provar também as ovas fritas com chips de matabala (um tubérculo) e a salada de búzios. Preço médio: 15€. 00 239 222 7261, Av. Nações Unidas, São Tomé

Roça Sundy O restaurante situa-se na casa principal da roça, tem uma sala interior e uma varanda com vista para a mata tropical. Os produtos frescos chegam da horta biológica da Roça Paciência e os peixes são adquiridos a pescadores do Príncipe. Os pratos são de inspiração local, sobretudo com peixe, fruta e vegetais da época. Entrada, prato principal e sobremesa: 30€. 00239 999 7000, Ilha do Príncipe

Bom Bom O restaurante ocupa uma sala espaçosa e uma esplanada sobre o mar. Ao leme da cozinha está o chef português Pedro Quintas. A não perder: carpaccio de polvo; peixinhos da horta e do mar; e os pratos de peixe fresco do dia. E, claro, a sobremesa: bolo de chocolate com gelado de papaia. 00239 225 1114, Ilha do Príncipe, bombomprincipe.com

Sundy Praia Lodge É um restaurante de topo, numa localização soberba, entre a mata equatorial e a praia, com uma decoração em bambu e dirigido pelo criativo chef italiano Angelo Rosso. Tártaro de peixe uaru com consomé de papaia e gengibre; gnochi com molho de tomate fresco, frango confitado e frito e queijo castelão fumado são apenas dois exemplos de pratos imperdíveis. 00239 999 5000, Praia Grande, Ilha do Príncipe, sundyprincipe.com

Roça São João dos Angolares É o restaurante do mais famoso chef são-tomense, João Carlos Silva, pioneiro no desenvolvimento gastronómico do país. Com uma vista deslumbrante sobre a ilha e o mar, uma refeição aqui é também um momento de contacto direto com o chef e a sua jovem equipa. A refeição (25€) é uma viagem de degustação pelos sabores da ilha através de várias entradas, pratos, tira gostos e sobremesas. 00239 990 6900, Angolares, São Tomé

Almada Negreiros Situado no local onde nasceu o artista e onde se localiza a Casa Museu com o seu nome, o restaurante ocupa um agradável terraço. O menu, preparado pelo chef Jay, natural da ilha, pode incluir feijão à moda da roça com peixe fumo assado e arroz de mosquito (erva aromática), lussúa (outra erva) e banana-pão frita; ou posta de espadarte frita com beringela, quiabo e matabala cozida e frita; e doce de papaia verde. 00239 991 6172, Roça Saudade, São Tomé

Pestana Equador Está situado no resort do ilhéu das Rolas e funciona como buffet. O chef chileno Andrés Molina comanda a cozinha e prepara pratos de inspiração local e outros de cozinha internacional. Aos sábados, surpreende os clientes com a fusão de cozinha molecular com produtos locais. Ceviche de barracuda e búzios; calulu de 17 folhas e espadarte, atum e peixe andala; e carpaccio de polvo com molho de soja, malagueta e lima de São Tomé são algumas das criações do chef. 00239 226 1195, Ilhéu das Rolas, Caué Sul, São Tomé e Príncipe, pestana.com

 


ONDE FICAR

Roça Sundy A roça foi construída em 1921 e agora restaurada para receber hóspedes. Tem apenas 12 quartos, 6 na casa principal e 6 na casa da plantação. No interior, manteve a escadaria original, o chão em mosaico e muitos objectos usados na antiga roça, como a enorme mesa de jantar ou as botijas para a água ou o vinho. Quartos espaçosos e confortáveis. Duplo a partir de 160€. 00239 999 7000, Ilha do Príncipe, hotelrocasundy.com

Mucumbli O nome deriva de uma árvore, a praia fica apenas a 4 minutos a pé e o visual a partir do restaurante sobre o mar e a mata tropical é soberbo. Os quartos, enquadrados no meio das árvores, garantem descanso absoluto. Os 6 bungalows têm nomes de frutos como Carambola, Pitanga ou Piripiri. O restaurante, orientado pela chef são-tomense Maria Rocha, serve pratos locais e outros que cruzam produtos da ilha com massas italianas, como o ‘farfalle com santola das Neves’. Preços desde 78€. 00239 222 3346, Ponta Figo, Neves, São Tomé

Praia Inhame Ecolodge Em contacto direto com uma das praias onde as tartarugas vêm desovar, com o ilhéu das Rolas à vista e uma frente de mar onde as baleias se divertem com os filhotes, o ecolodge é auto-suficiente em termos de energia: a água quente é alimentada por uma caldeira que usa cascas de coco e a eletricidade resulta do vento e dos 67 painéis solares. Os 15 bungalows em madeira estão espalhados pela praia e o restaurante serve um buffet de pratos locais. Preços desde 120€ com jantar e pequeno-almoço. 00239 991 6552, Porto Alegre, São Tomé, hotelpraiainhame.com

Bom Bom Primeiro hotel no Príncipe, aberto ao público em 1992, recebeu o nome do ilhéu onde está situado. Os 19 bungalows estão distribuídos por diferentes ambientes: praia, jardim, piscina e mar. Dispõe de um spa e, para os mais ativos, de um centro de mergulho, passeios de barco, pesca desportiva, trilhos e visitas a plantações. Quem quiser um almoço romântico numa praia deserta também só tem de pedir. A equipa do hotel trata do resto, de forma a garantir uma experiência única. Duplo desde 420€. 00239 225 1114, Ilha do Príncipe, bombomprincipe.com

Omali Lodge Omali significa ‘mar’ no crioulo são-tomense e este hotel está situado mesmo em frente à praia, na capital do país. Dispõe de 30 quartos e suites, piscina, dois bares, campo de ténis, ginásio e restaurante. Ideal para famílias, luas-de mel ou viagens de negócios, para quem pretende conhecer a cidade e beneficiar do ambiente tropical, da praia e dos sabores locais. Preços desde 200€. 00239 222 2350, Praia do Lagarto, São Tomé, omalilodge.com

Jalé Ecolodge Para quem pretende um contacto direto com a natureza, este pequeno projeto conta apenas com 3 bungalows, construídos em adobe e localizados mesmo junto à praia Jalé, uma das preferidas pelas tartarugas para a desova. O pequeno restaurante serve pratos locais, sempre com peixe fresco, e é gerido por uma associação de mulheres de Porto Alegre, a localidade ao lado. Como as tartarugas não gostam de luz, a eletricidade só é ligada entre as 18h e as 22h. No restante tempo, luz, só a das estrelas ou de alguma vela. Preços desde 28€. 00239 9853738, Praia Jalé, Porto Alegre, São Tomé, ecolodgejale.com

Sundy Praia Lodge Perfeitamente integradas na floresta tropical e a um minuto a pé da praia paradisíaca, as 15 villas cumprem o seu objectivo de interligação total com o espaço natural. A piscina de beiral infinito, o bar e o deslumbrante restaurante completam o quadro. A construção fez-se em madeira e os telhados imitam tendas. Os interiores são muito espaçosos e oferecem todas as comodidades com um design cuidado que combina motivos africanos desenhados no teto das camas com originais banheiras de granito. As villas maiores têm piscina privativa. Duplos desde 800€. 00239 999 5000, Praia Grande, Ilha do Príncipe, sundyprincipe.com


LOCAIS DE INTERESSE

Fábrica do chocolate Localizada em São Tomé, a fábrica pertence ao italiano Cláudio Corallo. O cacau usado no chocolate é plantado na Roça do Terreiro Velho, no Príncipe. Na fábrica, os visitantes podem acompanhar o ciclo do cacau até ao chocolate, provar as favas de cacau e fazer uma degustação de vários chocolates, entre os quais os de cacau a 100%, 80% ou a 75% e também do fantástico chocolate com pimenta de São Tomé e sal de Castro Marim. No final, há uma loja para quem quiser levar para casa. A entrada, com degustação, custa 4€. 00239 222 2236, Av. 12 de Julho nº 978, visitas às 2as, 4as e 6as, sempre às 16h30.

Forte de São Sebastião e Museu Nacional, À entrada estão colocadas as estátuas dos dois navegadores portugueses que chegaram a São Tomé e Príncipe no séc. XV, Pêro Escobar e João de Santarém e do primeiro capitão donatário da ilha, João de Paiva, a quem D. João II entregou o arquipélago. O forte foi construído em 1575 para defender a cidade. Já em meados do séc. XIX foi ali instalado um farol que servia de aviso à navegação. Hoje, o forte alberga o Museu Nacional de São Tomé, que inclui uma exposição de arte sacra, salas que reproduzem o ambiente nas roças de São Tomé no tempo da escravatura (como uma sala de jantar completa, com mesa, cadeiras, armários, talheres em prata, pratos e até peças de Bordalo Pinheiro nas paredes) e salas dedicadas à história, à fauna e à flora do país. A entrada custa 2€.

Museu do Café Instalado na Roça do Monte Café o museu ocupa as antigas instalações utilizadas na produção. Hoje a roça ainda produz café, em menor quantidade, plantado por agricultores de uma cooperativa de famílias que ali vivem. Em exposição, estão as antigas máquinas de secagem, descasca, separação e embalamento dos grãos de café, além de fotos e outros utensílios ligados à produção de arábica e robusta (as duas espécies de café plantadas na roça). O museu é um projeto social do Estado, onde trabalham 10 jovens que se ocupam das visitas guiadas em várias línguas. O bilhete custa 3€ com direito a uma degustação de café no final da visita.

Fábrica de cerveja Rosema É a única fábrica de cerveja da ilha e produz a Rosema, a cerveja local de São Tomé, vendida por todo o arquipélago em garrafas de vidro de meio litro, reutilizáveis e sem qualquer rótulo (a máquina que os colocava na garrafa avariou-se e ainda não foi substituída). É muito apreciada pelos locais e também pelos turistas. A fábrica foi fundada no início dos anos 70 e opera ainda hoje com equipamentos dessa época, o que lhe dá um charme próprio dos lugares com história. A água para fazer a cerveja vem do pequeno rio Provache, que nasce nas montanhas e desagua no Atlântico mesmo junto à fábrica. Os restantes ingredientes são importados. A fábrica emprega 120 pessoas e produz cerca de um milhão de garrafas de Rosema por ano.

Jardim Botânico Localizado no Bom Sucesso, criado em 1997, ocupa cerca de um hectare, às portas do Parque Nacional de Obô (que significa ‘bosque selvagem impenetrável’, em crioulo), a 1.120 metros de altitude. Fazia parte da Roça Monte Café e hoje alberga centenas de plantas florestais, ornamentais e medicinais, muitas de origem endémica e outras introduzidas. O orgulho do jardim são as 135 espécies de orquídeas, das quais 35 são nativas. Mas encontramos também a surpreendente flor da rosa de porcelana, a bananeira leque (de Madagáscar) e o bico de papagaio. O jardim acolhe ainda o Herbário Nacional que serve de referência na actividade científica ligada à botânica. A entrada é livre mas os visitantes são convidados a deixar um donativo.

Casa CACAU (Casa das Artes, Cultura, Criação, Ambiente, Utopias) O espaço ocupa umas antigas oficinas dos caminhos-de ferro, entretanto desativadas. Hoje, o espaçoso recinto é utilizado para exposições de pintura e escultura de artistas são tomenses, dispõe de um café e restaurante e de um espaço para música e danças ao vivo. Às quintas-feiras há um jantar em regime de buffet, onde é possível provar alguns dos pratos mais tradicionais de São Tomé. Avenida Marginal 12 Julho, São Tomé

Casa Almada Negreiros A casa fazia parte da Roça Saudade, propriedade do pai de Almada e local onde nasceu o artista em 1893 e viveu até aos dois anos, idade com a qual foi viver para Cascais. Parte das instalações ruíram, mas as divisões inferiores da casa foram reabilitadas e na área agrícola foram replantados 2 mil pés de café. Inclui um Centro de Cultura e Divulgação da Arte de São Tomé, onde artistas locais expõem os seus trabalhos; diversa documentação e livros relacionados com a vida de Almada Negreiros; e um restaurante com pratos locais. 00239 991 6172, Roça Saudade, São Tomé.

 


 

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