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SOLTEM AS BOLHAS!

by Beatriz Fragoso
SOLTEM AS BOLHAS!

Com o fim-do-ano à vista começam os preparativos para a noite do reveillon. E se há companhias indispensáveis em qualquer festa, um bom espumante é uma delas. Na noite da passagem de ano, o barulho das rolhas a saltar e das bolhas a crepitar, são insubstituíveis, na rua, em casa ou em qualquer outro lugar onde se vá assinalar a chegada de 2018.

Felizmente, a produção portuguesa de espumante evoluiu muito nos últimos anos e hoje é fácil apostar em marcas nacionais para alegrar uma noite de festa. Por todo o país, multiplicam-se as referências, brancas, rosadas ou tintas, desta bebida essencial em qualquer brinde. Graças ao trabalho dos produtores e à criatividade dos enólogos, as boas garrafeiras disponibilizam hoje múltiplas opções de escolha.

Bageiras

Nesta área, um dos projectos mais estimulantes em curso no país, tem como palco a Bairrada, uma região de Portugal com larga tradição na produção de espumantes – produzem-se aqui há 125 anos, seguindo as regras do método tradicional utilizado na região francesa de Champagne. O projeto chama-se Baga Bairrada, foi lançado em 2015 pela Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB), dirigida pelo enólogo Pedro Soares, e é um programa que envolve já um número considerável de produtores que, em apenas dois anos, lançaram no mercado vinte referências diferentes de espumantes, todos feitos com uvas da mesma casta.

Só este ano, já foram lançados onze espumantes Baga Bairrada no mercado. Note-se que este é um segmento em crescimento acentuado em Portugal: entre 2004 e 2015 a produção destes vinhos aumentou 324 por cento. As principais regiões do espumante no nosso país são a Bairrada, Távora-Varosa, Península de Setúbal e Dão.

A Bairrada é beneficiada pela sua localização geográfica, próxima do Atlântico e pela extrema diversidade dos seus solos o que lhe garante vinhos com a acidez necessária à produção de espumantes e com uma diferenciação muito significativa dentro do próprio território. Vinhas a curta distância umas das outras, conseguem produzir, com a mesma casta, vinhos com características muito diferentes. Esse factor torna-se decisivo na multiplicação de referências dentro da mesma área geográfica.

O projecto ‘Baga Bairrada’ constitui-se, assim, como um verdadeiro cluster regional, com o propósito de “estabelecer um padrão colectivo para ‘um’ espumante feito a partir da casta bandeira da região (a tinta Baga), preservando assim a identidade da Bairrada e colocando os espumantes da região num patamar de qualidade elevada”.

Baga Bairrada é uma nova categoria, para um produto distinto e com regras de produção e identidade gráfica próprias, criada para melhor promover a região e seus vinhos, em Portugal e no Mundo.

Aliança Underground Museum, em Sangalhos

Com este projeto, a CVB pretende “sinalizar, demarcar e autenticar a casta Baga como variedade típica (e predominante) da Bairrada, valorizando a casta, a região vitivinícola, e gerando notoriedade para o grande factor diferenciador: a Bairrada como região com massa crítica suficiente para fazer espumantes brancos de uma casta tinta”.

Neste projeto estão integrados espumantes brancos, rosados e tintos, mas a “CVB tem como principal objectivo assegurar um denominador comum e um estilo que faça crescer os chamados ‘Blanc de Noirs’, ou seja, espumantes brancos feitos a partir de uvas tintas, da casta Baga”. Como se sabe, a cor da uva não dá, necessariamente, a cor ao vinho. É a película da uva que transmite a cor. Retirando a película tinta é possível produzir vinhos brancos a partir de castas tintas – em França, os champagnes ‘blanc de noirs’ (por oposição aos ‘blanc de blancs’, feitos só com uvas brancas) são elaborados a partir das castas pinot noir ou pinot meunier, em separado, ou misturadas.

Sirva-se de espumante!

Quem é, então, a estrela deste projeto bairradino pouco comum no nosso país? A Baga é uma casta portuguesa tinta, predominante na Bairrada, mas também cultivada noutras regiões do país. As vinhas desta casta conseguem elevada produção, com cachos de bagos pequenos e de maturação tardia. Em solos argilosos e com boa exposição solar, a Baga consegue amadurecer convenientemente e produzir vinhos muito escuros, concentrados de aroma e que podem envelhecer em garrafa durante muitos anos.

Na Bairrada, os espumantes estão normalmente associados ao leitão assado, a grande riqueza gastronómica desta região. Mas os espumantes são compatíveis com muitos outros pratos, doces ou salgados, a começar ou a fechar uma refeição. E, claro, em dias de festa são imbatíveis por qualquer outra bebida: aniversários, casamentos, batizados ou qualquer outro evento que exija brindes e comemoração a sério. Como acontece sempre na época de festas que se aproxima, pelo Natal e pela passagem de ano. Saúde!


Espumantes Baga Bairrada

 

 

 

 

 

 

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