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CHEF ANN-KRISTIN

by Food and Travel Portugal
CHEF ANN-KRISTIN

Nasceu na Dinamarca há 26 anos, mas está em Portugal desde os 12, onde descobriu o bacalhau à Brás. Passou da moda para a cozinha à boleia do Masterchef mas não pensa em abrir um restaurante.

 

Gosta de cozinhar porquê?

No início eu era apenas uma modelo que cozinhava bolos para as minhas colegas. E o que me atraiu sempre foi o sorriso das pessoas quando gostavam do que eu fazia. Quando alguém diz ‘isto está mesmo bom!’, recompensa todo o trabalho anterior.

O que gosta mais de cozinhar?

Hoje gosto cada vez mais de fazer pratos salgados. Eu comecei com doces porque muitos chefs diziam que a pastelaria era mais técnica e eu achei que devia começar pelo mais difícil. Hoje, acho que é mais interessante trabalhar os salgados. A cozinha de salgados é mais flexível e mais rápida

 

Porco preto, raiz de aipo e cerejas

Tem preferência por alguns produtos?

Gosto de produtos que não passam por uma grande transformação. Se estou a comer uns espargos quero perceber que são espargos. Quando faço um puré de cenoura deixo alguns pedaços para traduzir, para as pessoas reconhecerem o produto com os olhos. É uma influência nórdica. Gostamos de coisas muito cruas, pickles, ácidas, frescas, não estufadas. Há muitas receitas vossas que eu faço, mas deixando as coisas mais cruas. Se uso uma cebola, em vez de a estufar muito tempo, faço um ligeiro salteado. Gosto da crocância e da frescura.

 

Dos pratos que já criou, há algum de que se orgulhe mais?

Há um prato que fiz no Masterchef e que toda a gente me pede: leva batatas, wasabi e camarões. Tem um lado asiático mas leva batatas, o que não é nada normal na cozinha asiática. Também criei uma esfera de gin tónico e lima, geleia e uma base de baunilha. Mas na minha empresa de catering tento fazer sempre receitas diferentes, gosto de arriscar.

Bacalhau confitado com ervilhas e vegetais

 

Onde vai buscar a inspiração?

Isto é um cliché, mas vou ao mercado e ao instagram, sigo novas técnicas, sobretudo criações de outros chefs. O Ricardo Costa faz coisas que eu adoro. Lá fora, a minha maior inspiração é a chef francesa Hélène Darroze. Eu gosto cada vez mais de chefs que fazem coisas simples mas onde se vê que há muita técnica dentro.

 

Há alguns restaurantes de que goste mais?

Sanduíches de gelado

Sou péssima a fazer reservas. Acabo a perguntar às pessoas da rua onde há um sítio bom para comer. Sigo alguns chefs quando eles fazem coisas novas, quero perceber o que vai na cabeça deles. Se o Kiko, o Sá Pessoa ou o Rui Paula lançam um conceito novo, eu tenho de ir. No Asiático, comi um dos pratos que mais me impressionou recentemente, o ceviche de atum e coco fresco, do chef Kiko. Ele usa a água do coco e cubos do próprio miolo do coco. Já fui lá três vezes só para comer este prato!

 

 

Não pensa em abrir um restaurante?

Não, quero abrir um espaço meu apenas para ensinar, um atelier. Já trabalhei em restaurantes e sei o que custa ter um, o quão duro é essa vida. Não quero ir por aí.

 

Qual é o seu prato português preferido?

O bacalhau à Brás. Quando cheguei a Portugal, com 12 anos, foi o primeiro prato que experimentei e detestei: peixe, batatas, ovos e azeitonas? O que era aquilo? Depois, provei de novo, num restaurante em Cascais e adorei. Era muito cremoso. O problema do bacalhau à Brás é que tem de ficar bem cremoso, não pode ficar seco, com os ovos muito cozidos. É um prato que já me salvou muitas vezes. Tenho sempre bacalhau no congelador!

 

 

Este artigo foi publicado na edição de março/abril de 2017 da revista Food and Travel Portugal.

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