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MACAU, AMANHÃ TUDO PODE

3 Fevereiro, 2018
MACAU, AMANHÃ TUDO PODE

Macau é a capital chinesa do entretenimento. Mas é no antigo centro histórico que residem o charme e a sedução desta cidade tolerante e criativa, que sabe inspirar-se nas influências culturais que aqui se cruzam. Como acontece com a cozinha macaense, hoje um património tão importante como os monumentos centenários que valorizam a cidade. Vamos, com José Fragoso, à descoberta dos pratos que fazem história em Macau.

 

É domingo, muito cedo, e estamos no centro de Macau, na rua dos Mercadores. O senhor Along (o nome significa ‘dragão’) não pára um segundo, servindo os muitos clientes que chegam de todos os lados e se acotovelam para tomar o pequeno-almoço – uma tigela com a melhor canja de arroz da cidade. O arroz cozeu em água durante toda a noite, num pequeno fogão, numa enorme panela, até ficar completamente líquido. Agora, com uma grande colher, o senhor Along enche cada tigela com o caldo, a que junta depois outros ingredientes que estão pendurados na montra à entrada do seu estabelecimento: peixe, fígado, ovos de pato, carne de vaca e porco, alho, gengibre, óleo, vegetais e, no final, um pedaço de fartura chinesa (igual às farturas portuguesas mas sem açúcar e canela).

A canja do Sr. Along

A sopa que resulta da mistura destes ingredientes com o caldo de arroz, é uma refeição de sabor intenso e reconfortante. “Tudo o que o cliente quer, eu ponho na tijela! Tudo, menos dinheiro…!”, diz-nos, a rir, o senhor Along, misturando palavras portuguesas e chinesas. Conta-nos que está neste lugar há mais de 40 anos a servir a sua canja de arroz, que já esteve em Portugal, que adorou comer bacalhau e pastéis de nata. E despede-se de nós com uma saudação muito especial: “Amanhã tudo pode!”, ou seja, “Não se preocupem, todos os problemas se resolvem”. O melhor da filosofia macaense, tolerante e positiva.

Lugares como o do senhor Along multiplicam-se pelas pequenas ruas do centro histórico de Macau oferecendo todo o tipo de ingredientes, cozinhados no momento: tripas, vegetais, cogumelos, carne de vaca ou porco, massas chinesas, línguas de vaca, bolinhos de camarão, de caranguejo ou de lagosta, enfim, uma variedade surpreendente de produtos apetitosos e cheiros convidativos. Comer na rua é um hábito muito asiático e em Macau a oferta é magnífica. Os chineses gostam de oferecer comida. Por isso, os milhares de turistas vindos de toda a China compram caixas de doces coloridas, grandes e pequenas (rebuçados, bolachas, biscoitos) ou produtos salgados (carnes de porco, pequenos pastéis) para oferecerem à família e aos amigos quando voltam a casa.

Um hábito que faz multiplicar as lojas de comida nas ruas mais movimentadas da cidade. Mas nem só de street food se faz a ementa macaense. Quando os portugueses chegaram ao território, subindo o rio das Pérolas, por volta de 1557, já encontraram aqui pescadores e agricultores chineses. A gastronomia de Macau foi absorvendo, a partir daí, influências dos quatro cantos do mundo. As embarcações portuguesas, que faziam as rotas comerciais marítimas traziam produtos das índias e dos países africanos, além das influências da cozinha portuguesa. Não espanta, por isso, que a comida macaense se tenha desenvolvido numa mistura de sabores asiáticos com receitas portuguesas e ingredientes vindos de muitas latitudes. Foi esse cruzamento entre ocidente e oriente que contribuiu para que Macau integrasse, desde novembro passado, a lista das Cidades Criativas da UNESCO, na área da Gastronomia, um título recebido com orgulho.

Aida Jesus, uma avó macaense agora com 103 anos, é uma das figuras mais notáveis da cozinha local, com uma vida dedicada a preparar as receitas que herdou da família: “As receitas antigas tiveram de ser adaptadas aos nossos dias por causa das porções. Antigamente, como havia pouco dinheiro, as quantidades dos ingredientes era muito pequena”. Hoje Aida Jesus, fica sentada num canto do seu pequeno restaurante, o Riquexó, na avenida Sidónio Pais, a ver como os funcionários fazem o seu trabalho. “Às vezes tenho de os corrigir nalguma coisa”!, conta satisfeita. Dos pratos macaenses, a avó Aida destaca o ‘Tacho’, a ‘Capela’ e o ‘Minchi’: o primeiro, é um cozido de carnes, como um cozido à portuguesa, mas feito com ingredientes locais (chouriço chinês, toucinho, carnes de porco, galinha, dobrada e hortaliça, pato fumado); a ‘Capela’ é um picado de carne de porco e chouriço português com ovos e queijo ralado e que vai ao forno a gratinar; e o ‘Minchi’ parte de um refogado com alho e cebola picados, molho de soja e batata frita aos quadrados, onde se envolvem depois as carnes de vaca e porco, picadas – serve-se com arroz branco e um ovo estrelado em cima de tudo.

Estes são também alguns dos pratos de referência do restaurante Litoral, gerido há mais de 20 anos pela simpatia e rigor culinário de Manuela Ferreira e passagem obrigatória para quem quer conhecer a essência da comida macaense. Manuela aprendeu a cozinhar com a avó e com o antigo chef Américo Anjo. A seguir à transição de Macau para a China, decidiu abrir o seu próprio restaurante: “Nessa altura havia poucos restaurantes de comida macaense. Tentei preservar a nossa comida. Achei que depois da transição, muita gente iria querer provar as comidas dos macaenses”. Não se enganou. O seu restaurante começou com 80 lugares, em 1995, passou depois para 150 e vai hoje nos 280, com mesas e cadeiras distribuídas por várias salas.

Seguiu os antigos livros de receitas macaenses, escritos ainda em patuá (a língua crioula de Macau, com uma base portuguesa e influências sobretudo chinesas, falada hoje por um número muito reduzido de pessoas): “O meu pai ajudou-me nas quantidades. Ele provava e dizia ‘falta isto, falta aquilo’ e eu corrigia e melhorava”, explica Manuela Ferreira, “E havia outro problema: as pessoas não escreviam as receitas na íntegra, os segredos não escreviam. Tivemos de ser nós a ir descobrindo!”.

Quando abriu o restaurante deparou-se com outro problema: “Na comida macaense há pratos difíceis de apresentar na mesa. Não é como a comida francesa, toda bonitinha. Tive de ir à China e comprar loiças bonitas para ajudar na apresentação dos pratos”. A ideia resultou! Não há convidado oficial que vá a Macau, chinês ou de outra nacionalidade, que não passe sem um almoço ou um jantar no Litoral.

E especialidades? Vamos começar pelo porco tamarinho, um caso exemplar do encontro entre cozinhas europeia e asiática. “É um prato que dá muito trabalho”, diz Manuela Ferreira, “Primeiro é preciso preparar uma pasta, o balichão, com camarões chineses pequeninos, vinho chinês, vinho português, limão e piripiri”. Depois é preciso esperar três meses enquanto a pasta fermenta. Nessa altura, tempera-se a carne de porco com o balichão e o tamarinho (tamarindo), uma fruta comum na Ásia. Depois de cozinhado, serve-se com o arroz japonês do sushi.

Manuela Ferreira, no Litoral

Manuela Ferreira destaca ainda a galinha portuguesa: pedaços de galinha e batata cozinhados num refogado de cebola e alho, açafrão, leite de coco, chouriço português e um ovo cozido cortado por cima; e o porco bafassá: lombo de porco inteiro, marinado em vinho branco, açafrão e cebolas às rodelas e depois levado ao forno.

No Litoral também vamos encontrar uma farta lista de sobremesas: bebinca de leite (um doce de ovos com leite de coco), mousse de chocolate, gelatina de coco, gelatina de chocolate e pudim de café e ovos. Muitas destas receitas são ensinadas aos cerca de 1600 alunos do Instituto de Formação Turística de Macau, divididos pelos quatros anos dos vários cursos ali existentes – gestão culinária, economia, desenho de menus, recursos humanos, equipamentos, entre outros. Law Chi Ming, a relações públicas, explica-nos que o instituto, a funcionar desde 1995, dispõe de um hotel e um restaurante, em pleno funcionamento, onde os estudantes praticam os seus conhecimentos, acompanhados por profissionais do sector e seguidos pelos professores. Além do ensino regular, o instituto promove cursos de formação mais curtos para funcionários de pequenos hotéis e restaurantes de Macau. “E todos os anos promovemos um concurso de comida macaense só para chefs jovens dos restaurantes locais. Avaliamos o sabor e a apresentação dos pratos”, conta Law Chi Ming, “E o nosso restaurante-escola tem um buffet de cozinha macaense todas as sexta-feiras ao jantar”.

Defender a tradição culinária local é também o objetivo da Confraria da Gastronomia Macaense. Conhecemos as confreiras Rita Cabral e Antonieta Manhão, duas conhecedoras profundas da história da comida local, preocupadas agora com o rigor na execução dos pratos, para que não se perca a genuinidade das receitas. É o que acontece em pratos como o caranguejo ‘fula-papaia’ feito com a flor feminina da papaia, um ingrediente cada vez mais difícil de encontrar porque as pessoas cortam essas flores para garantirem mais produção do fruto e assim é cada vez mais difícil fazer este prato. Rita e Antonieta apresentam-nos mais algumas receitas que misturam influências, como o caril de camarão com quiabos, o arroz gordo com chispe ou a galinha africana – um prato muito popular em Macau que leva pasta de amendoim, coco ralado, cebola, piripiri e alhos e pedaços de galinha que ficam a marinar 24 horas em soja, cebola e alho.

E também não faltam os doces! Por exemplo, explica Rita Cabral, “o bolo menino, feito com pinhões, amêndoas, coco, bolacha maria, ovos e açúcar; ou o bicho-bicho, pequenos bolinhos fritos, à base de farinha de trigo, açúcar e ovos”.

Com Antonieta Manhão, também conhecida por chef Neta, vamos ao Mercado Vermelho, o maior da cidade, aberto desde 1936, num edifício imponente, de três pisos, que recebeu o nome a partir da cor dos tijolos de que é integralmente construído. Nessa época, o mercado dava de frente para a água permitindo aos vendedores receber os produtos diretamente das docas onde os barcos paravam. Hoje, a construção avançou e o mercado está agora rodeado de edifícios. No interior – carnes no piso mais elevado, peixes no andar do meio e vegetais no piso inferior – vamos encontrar toda a variedade de produtos, num ambiente ruidoso e trepidante.

Os peixes são comprados ainda vivos, escolhidos em aquários e depois preparados à vista do cliente, as verduras impressionam pelas suas cores e tamanhos e a diversidade de ingredientes permite dar asas à imaginação culinária – quando visitámos o mercado, em novembro, a atração principal eram as pequenas minhocas do arroz, aos milhares, que só existem este mês à venda e são utilizadas para fazer omeletas.  Antonieta leva-nos até à banca do senhor Leo, um dos vendedores do mercado. Sempre de cara alegre, vende peixes e mariscos do rio (peixinhos amarelos, pâmpanos, camarões) e peixes do mar (garoupa vermelha ou zebra, lulas, chocos, nairros. Na zona dos vegetais, o mais curioso é encontrar nomes conhecidos – abóboras, pepinos, nabos, cenouras, feijão-verde – atribuídos a exemplares com formatos e tamanhos completamente diferentes dos que conhecemos em Portugal. E há ainda produtos asiáticos, como a flor e a raiz do lótus ou o ibisco, usado nos chás.

O centro histórico de Macau é uma deliciosa sucessão de pequenas ruas de calçada portuguesa, praças de arquitetura surpreendente, subidas e descidas pelas várias colinas, lojas coloridas e um movimento contínuo de gente sorridente. Subimos por uma ladeira, rodeada de casario oriental, com janelas que substituem o vidro por conchas de ostra e três portas em vez de uma para ajudar ao arrefecimento da casa em dias quentes, e logo chegamos a uma praça de construção ocidental, onde não falta a habitual igreja. É assim por toda a cidade antiga, cada recanto é revelador do convívio histórico entre culturas.

Elaborando medicamentos tradicionais chineses

Na rua de São Paulo, a senhora Wong Hoi Fa, vende dezenas de variedades de chá numa pequena loja com porta para a rua. Explica-nos que os seus chás, cujas receitas pertencem à família há mais de 100 anos, ajudam quem acorda mal disposto ou com ressaca, por isso são muito procurados. O chá é servido nuns copos pequenos e o seu sabor é forte mas muito agradável e não é difícil acreditar que pode ter efeitos benéficos depois de uma noite menos dormida.

Noutro ponto, temos a farmácia chinesa do médico Pac Cheong Tong. Depois de detetado o problema do paciente, o médico chinês prescreve de imediato a receita. Ali ao lado, duas funcionárias, usam dezenas de produtos naturais, fechados em frascos de vidro, em combinações diversas, de acordo com o tratamento: ervas, conchas, fruta olho de dragão, cornos de veado, ginseng, pepino do mar, barriga de peixe, saliva de andorinha-do-mar e pequenos lagartos secos. Depois da infusão, o cliente leva o remédio para tomar em casa.

Nas ruas estreitas, somam-se as lojas que vendem peixe seco salgado, muito utilizado na comida chinesa, mas em quantidades muito pequenas. Estamos na Son Fat, na rua do Guimarães: à nossa volta todo o tipo de peixe seco, embrulhado em papel: barbatanas de tubarão, estômago de peixe (para fazer sopa), vieiras, polvos, peixe-demónio e abalone – um molusco valorizado na cozinha asiática e muito caro, vendido aqui a mais de 800€ o quilo.

Passar da antiga malha de Macau para as novas construções turísticas da zona de Cotai é uma experiência alucinante. De repente, estamos na strip de Las Vegas, com os famosos Venetian (e a réplica dos canais da cidade italiana) e Parisian (com a sua torre Eiffel), ou ainda o Sheraton Grand Macao, o Wynn Palace, o MGM ou o Studio City, tudo hotéis de grande escala, com entretenimento, eventos, restaurantes, lojas e casinos que atraem diariamente milhares de visitantes, sobretudo asiáticos.

Cotai é um istmo entre as ilhas da Taipa e de Coloane (ambas integradas na região de Macau) cujo território tem sido conquistado às águas, por aterros sucessivos. Em Coloane (que significa ilha da montanha), na rua do Tassara, está-nos reservada mais uma surpresa: a fábrica dos pastéis de nata de Lord Stow, onde se chegam a produzir e vender dois mil pastéis por dia. A história começou quando o inglês Andrew Stow chegou a Macau, em 1979, para trabalhar na indústria farmacêutica. Acabou por se dedicar a outros negócios, como a importação de produtos alimentares da Europa e, mais tarde, em 1989, abriu a sua própria padaria e pastelaria. E foi aqui que nasceu a ideia de começar a fazer pastéis de nata, por pressão dos seus clientes portugueses, que queriam ‘matar saudades’ desse doce. Depois de várias experiências falhadas, Stow chegou ao seu objectivo, criando um pastel idêntico ao português, mas com um ‘toque’ pessoal: o on duc lou dan tart, ou tarte de ovo de lord Stows, com natas batidas, leite, açúcar e ovos. Um pastel saboroso, bem menos doce do que os portugueses, mais adaptado ao paladar local. Hoje são as filhas Audrey e Eileen que tomam conta deste pequeno ‘império’ que conta já com duas fábricas e nove pontos de venda em Macau e produz milhares de pastéis e outros doces. “Só trabalhamos com produtos frescos. E o nosso processo de fabrico é todo artesanal”, conta-nos uma sorridente Audrey Stows, que nunca esteve em Lisboa, nem sabe os segredos das receitas dos pastéis portugueses.

Sucesso idêntico teve a senhora Chan e a sua Tai Lei Loi Kei (Loja da Boa Sorte), no centro histórico da ilha da Taipa, onde se vende outro produto local de sucesso nascido da ‘saudade’ dos portugueses: a bifana. No final dos anos 60, a mãe da actual proprietária, começou a fazer e a vender pão. Muitos portugueses perguntavam-lhe porque não vendia o pão com carne de porco dentro e ela começou a fazê-lo. Como era uma combinação saborosa e muito barata, muitos clientes vinham à sua pequena loja para comer, normalmente do lado de fora, sentados nas ruas ou em bancos. Hoje o negócio expandiu-se e a senhora Chan explora já uma marca de franchising com oito lojas espalhadas por Macau, duas em Singapura, duas em Shangai, uma em Tóquio e outra em Ozaca. Também nunca provou as bifanas portuguesas: “Tenho muito medo de andar de avião!”, explica ela. No seu café, vende 800 bifanas por dia e 1500 aos sábados e domingos, a 38 patacas cada (4€). A carne de porco vem do Brasil e leva apenas alho, antes de fritar e passar ao pão.

Os sabores e produtos tradicionais portugueses são muito apreciados em Macau pelos visitantes asiáticos que passam pelo território e são uma mais-valia para o turismo. O Hotel Royal, em frente ao jardim Vasco da Gama, investiu num menu inteiramente lusitano no seu restaurante Fado, ‘Legendary portuguese cuisine’. A cozinha é dirigida, há quatro anos, pelo chef portuense Luís Américo, que vai a Macau duas vezes por ano e passa lá um mês e meio de cada vez. “Macau é um destino onde muita gente procura comida portuguesa”, conta-nos o chef, cuja carta oferece uma variedade significativa de pratos lusitanos: presunto de Barrancos com queijo da serra, amêijoas à Bulhão Pato, bacalhau à Brás, Leitão assado, polvo à lagareiro, posta à mirandesa, além do pão produzido no próprio restaurante e dos vinhos importados de Portugal.

Igualmente impressionante é a carta do restaurante do Clube Militar, dirigido pelo coronel Manuel Geraldes, instalado num edifício de 1870. Aos domingos, o prato que atrai a clientela ocidental e asiática é o cozido à portuguesa, mas o menu é vasto e conta com pratos de alguns dos mais conceituados chefs portugueses: o camarão tigre (Vítor Matos), as vieiras salteadas (José Avillez), o bacalhau à tomba-lobos (Júlio Vintém) ou a sopa de sapateira (Justa Nobre), além de um capítulo inteiro dedicado ao bacalhau e de uma lista invejável de sobremesas.

“O clube promove dois festivais de gastronomia por ano, um pelo 10 de Junho e outro em outubro, coincidindo com a festa da lusofonia”, descreve Manuel Geraldes, “E convidamos sempre um chef português de referência para vir aqui passar uns dias connosco. É uma oportunidade de promover a cozinha e os vinhos portugueses e de os meus cozinheiros aprenderem coisas novas”.

 

A equipa da Food and Travel Portugal deslocou-se a Macau por cortesia do Turismo de Macau 

 


INFORMAÇÃO DE VIAGEM

Macau é uma das regiões administrativas especiais da China (tal como a sua vizinha Hong Kong), localizada na costa meridional chinesa, a oeste da foz do rio das Pérolas. Os voos de Lisboa para Hong Kong duram cerca de 16 horas, sempre com escalas. A viagem de ferry do aeroporto de Hong Kong até Macau dura cerca de 50 minutos.

DICAS ÚTEIS

A moeda utilizada no território é a pataca e o fuso horário é de oito horas a mais que Portugal. Em janeiro, a temperatura pode oscilar entre os 14 (mínima) e os 22 graus (máxima). Os portugueses não necessitam de visto de entrada.

COMO CHEGAR

A Emirates tem ligações diárias a Hong Kong com escala no Dubai emirates.com. A partir do aeroporto de Hong Kong é muito fácil apanhar um ferry rápido para Macau. turbojet.com.hk

FONTES DE INFORMAÇÃO

Se vai viajar e quer planear tudo antes da partida, encontra informação pormenorizada sobre eventos, cultura, gastronomia, património ou compras no site do turismo macaense. pt.macaotourism.gov.mo/

 


O QUE VISITAR

Jardim e gruta de Camões Diz a lenda que este foi o local onde o poeta escreveu grande parte d’Os Lusíadas, por volta de 1557. O jardim e a gruta são agora pontos de atração turística, aproveitados também pelos locais para sessões de Thai Chi (combinação de exercícios físicos e respiratórios, com espadas ou leques), ou para uma atividade muito curiosa: levar as gaiolas dos pássaros de casa e pendurá-las nas árvores para que os pássaros cativos possam comunicar com os outros que andam à solta no parque. Praça Luís de Camões

Casa do Mandarim Edifício de 1869, onde viveu um célebre escritor chinês, Zheng Guanying, no final da dinastia Qing, autor de várias obras de economia, que influenciaram dirigentes como o Imperador Guangxu ou Mao Tse Tung. São 4 mil metros quadrados, em estilo chinês, com notas ocidentais, que incluem um edifício de entrada, pátios, casas para os criados e a área residencial nobre. Travessa de António da Silva, nº10, 00853 2896 8820, wh.mo/mandarinhouse/pt/

Teatro D. Pedro V Foi o primeiro teatro ocidental (1860) construído na China. Com capacidade para 300 pessoas, tem-se mantido como espaço de referência cultural em Macau. Aqui realizam-se eventos públicos e celebrações festivas, além da programação regular. De estilo neoclássico, foi desenhado pelo macaense Pedro Germano Marques e dedicado ao rei D. Pedro V. Largo de Santo Agostinho, 00853 8399 6699, wh.mo/theatre/pt/

Fortaleza do Monte Construída pelos Jesuítas entre 1617 e 1626 foi a principal estrutura defensiva de Macau, equipada com 32 canhões, casernas, poços e um arsenal de munições e mantimentos que suportavam um cerco de dois anos. Erguida no monte de São Paulo, destacou-se sobretudo em 1622, repelindo uma tentativa de invasão holandesa. No interior da fortaleza funciona o Museu de Macau (1,5€). Rua do Monte, 00853 2835 7911, macaumuseum.gov.mo

Ruinas de São Paulo e Templo de Na Tcha As ruinas pertencem a dois edifícios contíguos: a antiga Igreja da Madre de Deus e o Colégio de São Paulo, ambos construídos pelos jesuítas e destruídos por um incêndio em 1835 – sobraram algumas paredes e a fachada da igreja. É um dos monumentos preferidos dos turistas, integrado no Centro Histórico de Macau (Património Mundial da Humanidade/Unesco). Ao lado das ruinas está o templo taoista de Na Tcha, dedicado ao deus-criança com esse nome (1888). O conjunto é hoje símbolo da convivência entre religiões em Macau.

Largo do Senado Centro urbano histórico de Macau e local preferido para eventos e festas populares. Ao fim-de-semana, turistas e macaenses enchem por completo esta praça, fazendo compras, caminhando ou descansando apenas ao lado da grande fonte no meio do largo. No edifício do antigo Leal Senado, no topo do largo e que lhe dá o nome, funciona hoje o Instituto para os Serviços Cívicos e Municipais de Macau.

Templo de A-Má Localizado à entrada do Porto Interior, já existia antes da própria cidade. Terá sido construído por pescadores chineses, no séc. XV, para agradar à deusa taoista A-Má, protetora dos marinheiros e homens do mar. Por este porto, terão entrado os portugueses pela primeira vez no território e daqui derivará o próprio nome de Macau (A-Má-Gau, que significa Baía de A-Má). O templo integra quatro pavilhões principais e é um exemplo da cultura chinesa, inspirada pelo confucionismo, pelo taoísmo, pelo budismo e por múltiplas crenças populares.


ONDE FICAR

Hotel Royal Localizado na base da Colina da Guia, mesmo em frente ao Jardim Vasco da Gama e a dois passos do centro histórico de Macau, ideal para quem pretende visitar a cidade a pé. Disponibiliza 380 quartos e suítes, confortáveis e elegantes, distribuídos por 19 pisos. Integra ainda um restaurante de genuína comida portuguesa, com o toque do chef luso Luís Américo. Ambiente acolhedor, com piscina interior, um ginásio equipado e um bar onde se podem provar as cervejas chinesas ou a cerveja local, também chamada ‘Macau’. Duplos desde 100€. Estrada da Vitória, 2/4, 00853 2855 2222, hotelroyal.com.mo

Grand Lisboa É o edifício mais alto de Macau e o 118º mais alto do mundo, ligado ao histórico Hotel Lisboa. Com cerca de 400 espaçosos quartos e suítes, muitos deles equipados com sauna e jacuzzi e vistas deslumbrantes sobre Macau. O hotel oferece ainda espaços de recreio e lazer, entre os quais uma elegante piscina com pequenas cascatas e um Spa by Clarins. Pelo edifício distribuem-se cinco restaurantes, dois deles com três estrelas Michelin, o The 8 (cozinha chinesa) e o Robuchon au Dôme (cozinha francesa). Duplos a partir de 185€. Avenida de Lisboa, 00853 2828 3838, grandlisboahotel.com

Hotel Sintra Situado em pleno centro histórico e comercial de Macau, com acesso fácil a lojas e monumentos, reúne o melhor da hospitalidade europeia e oriental. Dispõe de 240 quartos e suítes elegantes, a condizer com a história do lugar, todos renovados recentemente, e o restaurante Sintra, com uma ementa de pratos chineses, especialidades macaenses e uma generosa carta de vinhos portugueses. Duplos desde 80€. Avenida de D. João IV, n.ºs 58, 60 e 62, 00853 2871 0111, hotelsintra.com

Pousada de Mong-Há É o hotel escola do Instituto de Formação Turística de Macau, onde os alunos treinam as suas capacidades acompanhados por profissionais seniores. A pousada fica situada na colina de Mong-Há, onde os portugueses edificaram uma fortaleza no séc. XIX, e tem uma vista invejável sobre o rio das Pérolas. Os seus 20 quartos têm decoração simples mas elegante, com uma preocupação adicional: usar materiais distintos e de manutenção mais complexa (tapetes, carpetes, chão de madeira, camas), para treino dos estudantes de hotelaria. Ao lado da pousada, o instituto dispõe ainda de um restaurante focado na comida portuguesa e macaense, também usado para os estágios dos alunos. Duplos desde 70€. Colina de Mong-Há, 00853 2856 1252. ift.edu.mo


ONDE COMER

SW Instalada no luxuoso Wynn Palace, na zona de Cotai, esta steakhouse é um dos cinco restaurantes disponíveis no hotel. As carnes, Wagyu e Angus, vêm dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão. A cozinha está entregue ao jovem chef Burton Yi, vindo de Los Angeles há seis meses. Os mariscos são frescos e variados (lagosta, caranguejo do Alaska, ostras, camarões), mas a nossa preferência vai para o Roasted Bone Marrow, um fantástico prato de medula óssea assada, de sabor inesquecível (40€). Ao longo da noite, são ainda exibidos curtos mas divertidos espectáculos que complementam a refeição. Av. da Nave Desportiva, Macau, 00853 8889 8889, wynnpalace.com

Litoral É um dos templos da cozinha macaense, gerido por Manuela Ferreira, desde 1995. O espaço pode albergar até 280 comensais, distribuídos por várias salas. Aqui, vamos encontrar todos os pratos ‘estrela’ da cozinha local: o tacho, a galinha africana, o minchi, o porco tamarinho, o arroz à portuguesa, além de doces como a bebinca de leite, a serradura ou a gelatina de coco. Pratos entre os 20€ e 30€ R. do Alm. Sérgio, 261 A, 00853 2896 7878

Marisqueira Nga Tim, Este simpático e informal restaurante chinês fica na vila de Coloane, junto à capela de São Francisco. O proprietário, o senhor Wong, é uma figura divertida que também gosta de cantar a acompanhar alguns pratos. O camarão embriagado na sauna (camarão mergulhado em vinho chinês e depois frito em pedras de sauna quentes), o chao min de vaca com pimentos, cebola e massa chinesa e o pout chai fan (pote de arroz de inverno, com chouriço chinês, peixe salgado e vegetais), são alguns dos pratos a não perder. R. do Caetano, 8, Coloane, 00853 2888 2086

Fado É o restaurante do Hotel Royal, liderado chef Luís Américo, muito frequentado por turistas asiáticos. Aqui, a cozinha é portuguesa e feita com produtos portugueses: Polvo à Lagareiro (30€), Bacalhau à Brás, Leitão assado com tempero da Bairrada (20€), Posta à Mirandesa (27,5€), Açorda de Camarão e Coentros (17€) e Galinha na Púcara (19€), são alguns dos pratos com mais saída. Estrada da Vitória, nº 2/4, 00853 2855 2222, hotelroyal.com.mo

Clube Militar de Macau Lugar de culto para os apreciadores da cozinha e vinhos portugueses. Todos os domingos, o restaurante do clube serve um buffet de cozido à portuguesa muito frequentado. Além deste prato icónico, a lista é muito extensa e inclui Arroz de Marisco (23€), Robalo com Algas (24€), Arroz de Polvo Malandrinho (23€), Bochechas de Porco (24€), Leitão Assado à Transmontana (24€) e um capítulo inteiro só com pratos de bacalhau. Av. Da Praia Grande, 975, 00853 287 14 000

Xin Asian  Hot Pot & Seafood Xin significa ‘fresco’ e aqui os produtos fazem justiça ao nome. Marisco saído do tanque, uma seleção cuidada de carnes de vaca e porco, vegetais e sopa, permitem criar combinações saborosas de aromas intensos. Cada cliente tem o seu próprio pote com um caldo quente. Os ingredientes, em pequenas peças, são introduzidos no caldo a ferver, à vontade de cada um, a partir de uma oferta rica e diversificada de produtos expostos numa longa mesa de buffet. Como num fondue, as peças – carne, peixe, vegetais – vão-se comendo à medida que cozem no caldo. Uma experiência de partilha, divertida e muito saborosa! 45€ por pessoa, Sheraton Grande Macao Hotel, Estrada do Istmo, 00853 8113 1200, sheratongrandmacao.com

Robuchon au Dôme É um dos espaços mais emblemáticos de toda a Ásia, com três estrelas Michelin e assinatura do francês Joël Robuchon. Localizado na cúpula do Grande Lisboa Hotel, tem uma vista fabulosa de Macau a 360 graus. Le Couchon Iberique (leitão crocante com ervilhas e cogumelos), Bacalhau Negro e molho de pimenta preta Malabar, bok choy e espuma de coco e os Mini-burgers de carne wagyu e foie gras com pimentos ligeiramente caramelizados, são alguns dos pratos de referência. O menu Plaisir custa 82€ e inclui uma entrada, uma sopa e um prato – tudo a escolher do menu – queijo ou doces e café ou chá. Avenida de Lisboa, 00853 8803 7878, grandlisboahotel.com

 

 

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