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MONSARAZ, A ALDEIA MONUMENTO

por Food and Travel Portugal
MONSARAZ, A ALDEIA MONUMENTO

O grande lago formado com a barragem do Alqueva faz agora parte da paisagem em torno do castelo e da povoação. O casario branco esconde segredos de outros tempos, mas revela lugares onde as migas, o porco preto ou os doces conventuais fazem a delícia dos viajantes.

Texto: José Fragoso | Fotografias: Eduardo Amaro e Carlos Ferreira

Vista de alguns ângulos, Monsaraz parece quase uma ilha, dada a proximidade das águas do Alqueva que mudaram a paisagem alentejana. Entrar no velho castelo é como entrar no cenário de uma velha história de princesas e cavaleiros. As pequenas ruas empedradas mantêm a memória de milhares de vidas que por aqui se cruzaram. A meio do castelo, está a Igreja de Nª Sª da Lagoa (Igreja Matriz), construção do século XVI, mesmo ao lado do Museu do Fresco, aberto desde 2010, nas instalações de um edifício do séc. XIV (e onde se encontra um fresco do século XV com as figuras do Bom e do Mau Juíz e que esteve tapado centenas de anos até ser descoberto nos anos 50). Ainda no castelo, é de visita obrigatória a Casa da Inquisição – Centro Interativo da História Judaica em Monsaraz, uma das únicas no país, e o pelourinho oitocentista.

Seria preciso recuar vários milhares de anos para chegarmos aos primeiros homens que habitaram a região de Monsaraz. A proliferação de monumentos megalíticos nesta região, leva-nos mais de 5 mil anos para trás no tempo. Já na reconquista, Monsaraz foi tomada aos mouros, por Geraldo Sem Pavor, em 1167, mas logo de seguida foi perdida de novo. Só em 1232 se fez a conquista definitiva. Doada à Ordem do Templo, foi sede de concelho até 1851, ano em que esse estatuto passou para a vizinha Reguengos de Monsaraz.

Hoje, Monsaraz é o centro de uma dinâmica turística forte, atraída pelo rico património, pelos cruzeiros de barco no Alqueva, pela olaria histórica de São Pedro do Corval e pela memorável gastronomia alentejana. E não falta quem junte inovação à tradição. É o caso de António Cuco, formado em turismo, mas que descobriu a fórmula para produzir um gin de sucesso: o Sharish, termo que significa esteva em árabe e do qual deriva o nome de Monsaraz – Mont Sharish ou monte das estevas.

“Comecei por fazer algumas experiências para os amigos, antes de chegar à fórmula”, conta-nos António Cuco, “No princípio nem tinha alambique, usava uma panela”. Agora exporta para 20 países – só o mercado inglês absorve 8 mil garrafas por mês. O Sharish é a soma de muitos ingredientes portugueses, vários deles colhidos no próprio Alentejo: morangos de Beja, casca de laranja e limão da Aldeia da Luz, pera rocha do Cadaval, maçã bravo esmolfe DOP, além dos tradicionais zimbro e semente de coentros. A receita fica completa com especiarias: canela, cravinho e um toque de baunilha.

Ali perto, outro exemplo de inovação ligada à tradição. Estamos na Queijaria Sapata, a funcionar há 40 anos. O casal Luís Melo e Assunção Batista pegou no negócio de família e investiu na produção e na criação de novos produtos. Em sete anos, passaram de 100 mil queijos por ano, para 40 mil queijos por mês e de uma variedade apenas para nove variedades diferentes. Além do mercado português, já exportam queijo do Alentejo para a Holanda, Bélgica, França, Espanha e Alemanha. “Estamos a crescer 70 por cento ao ano. O plano agora é aumentar a fábrica e manter o ritmo”, explica Luís Melo.

Lurdes Pimenta também não pára na sua pequena doçaria tradicional, a funcionar há 17 anos, recheada de posters do ‘seu’ Benfica (tem até um bolo com o nome de Mantorras) e de dezenas de doces alentejanos, das encharcadas ao bolo rançoso, das sericaias ao pão de rala. “Aqui é tudo feito à moda antiga, tudo feito à mão”, conta energicamente, “As receitas estão todas na minha cabeça. Só quero ser feliz!”.

A gastronomia está no centro das atenções de quantos visitam o Alentejo. Em Reguengos, vamos ao encontro de António Aleixo e do seu restaurante Plano B, bem no centro da cidade. Na cozinha é Marília Aleixo que dirige as operações. E as especialidades da casa? Lagartos e abanicos de porco preto com migas de espargos; costeletas de borrego grelhadas com molho de azeite e ervas aromáticas; e a sopa de cação. António Aleixo também produz e comercializa as mini-sericaias, miniaturas do conhecido doce alentejano, que assim podem ser levadas em embalagens de 4 ou 6 unidades: “A sericaia é um doce grande e muita gente queria levar e não era possível, assim já é!”.

Já em Monsaraz, do lado de fora do castelo, Isabel Polo prepara umas migas de bacalhau para servir no seu restaurante Sabores de Monsaraz: bacalhau, coentros, gema de ovo, pão, azeite, alho e água. O cheiro dos ingredientes já é um convite aos sentidos. “Aqui é tudo feito no momento”, diz a cozinheira sorridente, “Faço a comida sempre à hora a que os clientes chegam”. Todas as tarefas culinárias são executadas à vista dos comensais na pequena cozinha instalada a meio do restaurante.

Mais recente, é a cozinha do chef Júlio Vintém, no restaurante São Lourenço do Barrocal, uma magnífica unidade hoteleira inaugurada em 2016. A antiga herdade, onde chegaram a viver mais de 50 famílias de trabalhadores até abril de 74, foi toda recuperada e é hoje uma referência de qualidade no Alentejo. Júlio Vintém usa todo o potencial da quinta e das proximidades no seu menu: o pão, os legumes, o vinho, o azeite e a carne de vitela são de produção própria, a maturação da carne de vaca é feita na sua cozinha e os porcos e borregos são comprados a produtores locais. “Quando temos um produto, adaptamos o menu à oferta”, explica o chef. “E toda a nossa produção é biológica”.

Não é possível falar de Monsaraz, sem falar dos vinhos que usam o seu nome e fazem companhia aos pratos da cozinha alentejana. A funcionar desde 1971, a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (CARMIM) agrega cerca de 600 produtores de vinho e 400 produtores de azeitona, cereais e lãs. Rui Veladas é o responsável pela equipa de enologia: “Temos 35 referências no mercado português, entre brancos, tintos, rosés, um espumante, um vinho licoroso e uma aguardente vínica. E exportamos para mais de 30 países, do Brasil e Angola à China e aos Estados Unidos”.

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Na versão completa do artigo poderá encontrar as nossas sugestões de hotéis, restaurantes e locais a visitar. Artigo publicado em janeiro de 2018.

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