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PARA FAZER (AO MENOS) UMA VEZ NA VIDA: SAFARI

por Food and Travel Portugal
PARA FAZER (AO MENOS) UMA VEZ NA VIDA: SAFARI

Masai Mara, no Quénia, é o destino de safaris mais popular do mundo e o cenário insubstituível nos documentários de vida selvagem. Mas nada é melhor do que ver com os próprios olhos.

Fotografias:Angama, James Fitzgerald, Angela Dukes; James Walsh; Stevie Mann; Serian; Terry Hann.

Se é fã de documentários e está familiarizado com o horário nobre da televisão dos anos 90, vai reconhecer de imediato o Parque Masai Mara, no Quénia. A série da BBC Vida Selvagem Big Cat Diary foi filmada aqui, tendo como protagonistas as dinastias de leões, leopardos e chitas.

Quando a Reserva Nacional de Masai Mara foi criada, logo a norte do Parque Nacional de Serengeti, em 1961, estas espécies estavam à beira da extinção, devastadas pelos grandes caçadores furtivos de meados do século XX.

Felizmente, elas recuperaram, e a Mara Masai – a reserva e as zonas de conservação em seu redor – tornou-se a área mais popular do Quénia para safaris fotográficos. Lendária pela sua vida selvagem, é também uma região onde as tradições locais têm continuidade graças às várias políticas de conservação existentes.

Muitos habitantes masai, inconfundíveis devido ao uso de missangas e trajes shuka escarlate, ainda seguem um estilo de vida simples e pastoral; se ficarmos num acampamento ou num lodge responsáveis, os masai também beneficiam financeiramente.

Esta região torna-se particularmente movimentada durante os meses secos, entre julho e outubro, quando ocorre um dos mais maravilhosos espetáculos da vida selvagem em África, a Grande Migração. Milhares de gnus, zebras e gazelas chegam vindas de Serengeti e tentam atravessar os rios Mara e Talek, que serpenteiam em torno das zonas protegidas e atravessam a reserva, fazendo desta uma época de abundância para os grandes felinos, hienas, abutres e crocodilos.

É inesquecível, mas as manadas de carros turísticos estragam a magia para muitos; se já esteve num safari ou se prefere uma experiência menos populosa, vá em novembro ou de janeiro a junho, quando os preços de alojamento reduzem para metade e ainda consegue ver as zebras, girafas masai, gazelas, topis (antílopes castanhos e velozes com a cara e as patas escuras), búfalos e javalis, e talvez o vislumbre de uma juba ou de uma cauda felina.

Todas as épocas são interessantes: as temperaturas durante o dia rondam os 25oC o ano todo, as noites são sempre mais frescas e até os meses mais chuvosos (abril e maio) podem ser bonitos, com luz clara, vegetação, abundância de aves e antílopes.

As opções de alojamento em Mara Masai têm-se multiplicado nos últimos anos, mas os amantes de safaris à moda antiga ainda adoram este local, sendo os acampamentos ricos em influências europeia e masai, as escolhas mais comuns. Esta é a área protegida mais cara do Quénia, mas, no geral, os preços de umas férias num safari queniano são semelhantes aos da África do Sul, e consideravelmente menores que Botswana, Namíbia ou Zâmbia, uma vez que todos estes requerem voos internacionais mais longos.

Seguindo a verdadeira tradição dos safaris, a maioria dos itinerários passa por vários parques, ficando um par de noites em cada um, mas podemos escolher fazer do Mara Masai o nosso foco durante muitos dias.

Permita-se dedicar algum tempo a outras coisas para além da vida selvagem, como andar num balão de ar quente, fazer caminhadas e fly-camping ou uma visita à comunidade masai para aprender mais sobre a sua cultura. Porém, fique atento: algumas destas ‘aldeias’ locais podem ser um pouco turísticas e não autênticas, por isso procure informações junto do seu guia.

Ainda que as viagens independentes não sejam tão comuns aqui como na África do Sul – em safaris como o Parque Nacional Kruger ou o Etosha, na Namíbia – é possível alugar um 4×4 e ir em direção oeste, até ao Vale do Rift. É uma viagem irregular de seis horas que não recomendamos, necessariamente.

Acampar em parques de campismo públicos, como os de Mara Triangle maratriangle.org é possível por pouco mais de 30€ por noite, mas não se compara à experiência e aos conhecimentos oferecidos por um lodge.

Outra opção é contratar um motorista ou marcar uma visita de grupo com uma das empresas de safaris sediadas em Nairobi, como a Uniglobe uniglobeletsgotravel.com ou Gamewatchers porini.com para partilhar um minibus com teto descapotável que fornece uma ótima vista. Isto pode ser divertido, com um toque de aventura, e podemos ver e aprender bastante mais sobre a vida selvagem com um guia especializado do que sozinhos. Para um grupo de seis pessoas, viagens de quatro dias, a partir de Nairobi, na época alta, têm um custo base de 750€ pp.

No entanto, a qualidade de orientação numa tour de minibus não se compara com a informação que podemos adquirir com umas das equipas altamente qualificadas da KPSGA (Associação de Guias Profissionais de Safaris do Quénia) situadas nos acampamentos de topo, onde se pode observar a vida selvagem em veículos especializados com vista 360o, por um valor incluído na taxa de alojamento, assim como as entra das no parque (65€ pp).

A maioria dos acampamentos chamam a estas excursões ‘game drives’, uma referência aos tempos em que os safaris tinham o objetivo de caça e não de observação. Eles também gostam de juntar velhos luxos, desde lençóis masai para as manhãs mais frias até locais para observar o pôr-do-sol e comer uns petiscos (cada acampamento tem os seus favoritos).

O seu veículo será aberto na lateral; use cores neutras, um chapéu e protetor solar para permanecer discreto e livre de manchas de pó. Leve também um casaco quente. A maioria das férias em safaris inclui voos em vez de transferências de carro, levando os viajantes do aeroporto de Nairobi até à base mais próxima do seu acampamento, em cerca de 45 minutos.

A Safarilink flysafarilink.com dispõe de vários horários de partida, diariamente, em aviões de turbo hélice. Estes têm uma capacidade para 13 a 52 passageiros. Os aviões mais pequenos voam mais baixo e têm uma vista melhor, por isso escolha estes se conseguir.

De qualquer modo, terá de viajar sem peso – uma bagagem de 15kg é o máximo permitido e, nos aviões mais leves, o limite de peso ainda é inferior – mas terá acesso a paisagens deslumbrantes seguidas de um breve passeio de carro até ao acampamento.

No que toca ao alojamento, os lodges oferecem a melhor experiência. Têm acesso aos motoristas e guias mais competentes, que não só avistam os animais, como também explicam tudo sobre os ecossistemas locais e a vida na savana.

É natural pensar que os acampamentos dentro da reserva nacional oferecem as melhores oportunidades de avistamento de vida selvagem, mas não menospreze os que se localizam nas zonas protegidas ou concessões privadas, que permitem experiências de ligação com a comunidade local e também as apoiam de certa forma.

Um safari é uma experiência de vida única e é uma falsa economia de poupança. Os custos extra somam-se rapidamente, por isso, certifique-se de que sabe exatamente aquilo que está a pagar, com quem quer que escolha fazer a sua reserva.

Angama Mara – Provado e saboreado

Aberto há dois anos, o Angama é o culminar de um sonho de Nicky Fitzgerald e do seu falecido companheiro Steve, veteranos da indústria dos safaris. A manifestação deste sonho é simplesmente deslumbrante.Espalhado ao longo de dois kopjes (afloramentos rochosos) no Vale do Rift, com 300 metros de altura, cada um com 15 suítes em tendas, a sua vista para a savana estende-se até à fronteira com a Tanzânia. Cada kopje tem o seu próprio restaurante e lounge com terraço, completos com uma fogueira e um telescópio para conseguir observar a reserva em baixo.

As suítes foram criadas de uma forma inteligente para garantir o máximo de privacidade e estão à distância ideal entre si, de forma a parecer que não têm ninguém à sua volta. O alpendre possui um espaço de 11m de luxo pessoal – banheiras, soalhos envernizados, mobília de estilo colonial e um bar bem abastecido (com bebidas à escolha), além de bolachas caseiras e cajus picantes. O Angama também fornece um par de binóculos de alta-qualidade a cada quarto e os veículos 4×4 têm bares completos e refeições e bebidas prontas a fazer. Pode ser que não haja tomadas que se adequem aos seus aparelhos, por isso leve um adaptador, no caso de querer carregar a sua máquina fotográfica.

O serviço de restaurante é profissional e, ao contrário de outros acampamentos, terá a sua própria mesa e um menu inteiro à la carte, em vez de mesas comuns. O guia, Daniel, esteve ao nosso dispor o dia todo, para observar os animais e dar informações úteis sobre a natureza, a flora e a fauna, da vida selvagem encontrada na zona de Mara Triangle.
Num terceiro kopje, que foi o cenário do filme África Minha, podemos assistir à autêntica adumu (dança) masai em torno de uma fogueira (o Angama trabalha de perto e apoia a tribo local) ou relaxar ao pôr-do-sol com uma bebida a admirar a paisagem. É, sem dúvida, o ‘Bellagio da Savana’.

Desde 1,452€ pp, por noite. Oloololo Escarpment, 01865 981 311, angama.com

Serian, The Original – Provado e saboreado

Este lodge, localizado nas margens do Rio Mara, é um dos 11 acampamentos situados na Mara North Conservancy, numa região selvagem privada de 30,000 ha. As boas-vindas de Adrian, Roisin e da equipa são calorosas, dando-nos a sensação imediata de estarmos hospedados em casa de amigos. Toalhas e bebidas frescas são disponibilizadas e apresentamo-nos aos outros campistas, enquanto Roisin fala sobre as espécies que conseguiremos observar. Entretanto, uma cara amigável aparece – é Wifi, o cão do acampamento e, por acaso, a única Wi-Fi disponível.

As cinco grandes tendas que constituem o Serian estão instaladas sobre pavimentos de madeira e possuem camas de quatro-colunas e casas-de-banho com banheiras esculpidas em rochas locais. Isto é ‘glamping’ no seu melhor! A nossa vasta tenda de família foi posicionada sobre a margem e quase ao lado de um grupo de 30 hipopótamos que se banhavam no rio. Claro que o foco são os animais, mas a verdadeira surpresa foi a comida fantástica: saladas frescas (muitos dos ingredientes são plantados na horta do lodge), sopas quentes e caseiras e deliciosos caris de peixe. Tudo em torno de uma mesa comum, debaixo de uma árvore.

De volta ao acampamento, depois de um passeio matinal, fomos saudados com um pequeno-almoço na savana, seguido de um improvisado safari a pé. Cada tenda tem o seu guia e o seu localizador de animais, capazes de encontrar imediatamente uma chita a perseguir uma lebre, a cauda de um leopardo, ou apresentá-lo a uma girafa recém-nascida. Mas o ponto alto são as viagens noturnas, na altura em que os felinos começam a caçar.
Desde 550€pp por noite. Mara North Conservancy, 00 254 202 663 397, serian.com

OUTROS LODGES DE TOPO NA MARA

As taxas referidas são por noite, para duas pessoas que partilham uma tenda dupla de safari, e incluem pensão completa, atividades e transferências, em época alta (tipicamente de julho a setembro e no fim de dezembro até início de janeiro).
Nas outras alturas, a maioria dos acampamentos oferece descontos.

Cottar’s 1920s Camp Mergulhado em história familiar, o Cottar’s possui guias soberbos e transporta-o no tempo, até uma altura em que os acampamentos serviam para trocar de sapatos e beber gin tónico ao som de discos no gramofone. 1,000€. Ol Derikesi Conservancy, 00 254 733 773 378, cottars.com

Elephant Pepper Camp Um acampamento estabelecido na época dos primeiros safaris, com algumas adições modernas, como a luz dos painéis solares. As especialidades incluem cozinha italiana e guias especializados. 860€. Mara North Conservancy, 00 254 730 127 000, elewanacollection.com

Encounter Mara Com credenciais de turismo impecavelmente responsáveis, as tendas aqui, conectadas por excrementos de elefante, têm uma verdadeira aura selvagem. 1,005€. Mara Naboisho Conservancy, 00 202 324 904, asiliaafrica.com

Kicheche Bush Camp Propriedade conjunta do inglês Paul Goldstein, um fotógrafo profissional de vida selvagem, que usa este acampamento como base quando faz tours. Kicheche é imaculado e genuíno. 1,245€. Olare Motorogi Conservancy, 00 254 202 493 569, kicheche.com

Little Governor’s Camp A irmã mais nova do Governor’s, um favorito das equipas de filmagens da BBC, incluindo os criadores de Big Cat Diary. Está numa boa localização se quiser andar de balão de ar quente, uma experiência da Mara Masai quintessencial. 820€. Reserva Nacional Masai Mara, 00 254 727 062 530, governorscamp.com

Mara Plains Camp Um acampamento íntimo com sete tendas, focado na conservação e altamente luxuoso, com extras interessantes como binóculos e câmaras para hóspedes. 2,825€. Olare Motorogi Conservancy, 00 27 873 546 591, greatplainsconservation.com

Porini Mara Um campo pioneiro no turismo de Mara gerido pela comunidade, com um ambiente descontraído e uma excelente vista para a vida selvagem, desde elefantes a crias de leões. 2,650€. Ol Kinyei Conservancy, 00 254 774 136 523, porini.com

Sanctuary Olonana Reaberto em junho com 14 novas suítes com paredes de vidro, este lodge de luxo resume o estilo da savana às margens do rio Mara. As suas credenciais ecológicas são fortes e já ganhou vários prémios. 1,385€. Oloololo Escarpment, 00 254 202 487 374, sanctuaryretreats.com

Tangulia Mara Um acampamento rústico com fácil acesso aos animais do Musiara Marsh e Rhino Ridge. Gerido em conjunto com o naturalista e guia masai, Jackson Looseyia, que também trabalhou no Big Cat Live, da BBC. 985€. Reserva Nacional Masai Mara, 00 254 206 000 457, tanguliamara.com

Wilderness Camp Uma experiência de verdadeiro contacto com a natureza, com toques de conforto. Uma boa base para visitas às aldeias e safaris de fly-camping. 610€. Mara Naboisho Conservancy, 00 254 733 333 909, basecampexplorer.com

Artigo publicado na edição de setembro/outubro 2018.

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